quinta-feira, 28 de agosto de 2008

AS LANCHAS


Tendo adquirido umas pequenas instalações na zona do fim da freguesia de Santa Clara, isto na década de trinta do século passado, o industrial continental Virgílio Lori, depois de as ampliar e modernizar adequadamente, veio dar um grande impulso à vida de muitos pescadores em São Miguel, não só por lhes abrir o caminho para outro tipo de embarcações, como para outro tipo de pesca, a do alto mar.

Criando um tipo de embarcações até então nunca usadas em São Miguel na faina da pesca, barcos motorizados com um raio de acção que permitia a penetração no alto mar - embora ainda bastante aventureira devido à falta de recursos de orientação e comunicação - aos quais o povo se habituou a chamar de LANCHAS. Conseguiu o mesmo não só implementar um novo tipo de pesca como também, pela primeira vez, uma indústria conserveira que usava óleos ou azeites nas suas confecções.

Alguns pescadores da Ribeira Quente foram incluídos nas tripulações dessas embarcações conhecidas por as Lanchas do LORI que pescavam bonito e atum para a "Fabrica do Lori de Santa Clara", que foi muito positiva porque não só proporcionava outras alternativas a pescadores artesanais de tradição, mas também porque mantinha um relativo número de postos de trabalho a domésticas que nunca haviam sido fabris.

Há que notar que embora a Sociedade Corretora já existisse antes do Lori, esta sociedade nascida por força do ananás, ainda não existia como indústria de pesca transformadora, visto que durante os anos de 1940/41, se mantinha a fabricar rodelas de ananás e sumos nas suas instalações da Rua do Conde, em Ponta Delgada e, depois, entre 1942/43, fabricava doce de batata doce para a Cruz Vermelha Internacional, nestas mesmas instalações.

Só no ano de 1944 a Sociedade Corretora adquiriu à Dias & Dias as suas instalações em Vila Franca do Campo, a fim de incrementar a indústria de pesca em maior dimensão, alterando-a e dando-lhe a modernidade que não tinha.

Adquirindo em 1946 a fabriqueta de peixe de sal moura a Laurénio Tavares, da Rua da Vila Nova, com este alvará a Corretora construiu em 1946 a sua melhor unidade industrial de conservas de peixe em Rosto de Cão (São Roque) e, mais tarde, em 1963, adquiriu ao industrial desse ramo, de nome Lopes, a fábrica de conservas da Calheta e a de Santa Maria.

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