quarta-feira, 13 de maio de 2009

CARACTERIZAÇÃO GEOLÓGICA

Geomorfologia
A ilha de São Miguel é constituída por oito regiões geomorfológicas distintas: • Maciço vulcânico das Sete Cidades; • Região dos Picos; • Maciço vulcânico de Água De Pau (Fogo); • Planalto da Achada das Furnas; • Vulcão das Furnas; • Vulcão da Povoação; • Região da Tronqueira e do Nordeste; • Plataforma Litoral do Norte.

Rede Hidrográfica
Uma parte da freguesia da Ribeira Quente sofre pela rede Hidrográfica existente, quando as condições climatéricas são extremas (Precipitação Elevada) que caracterizam a ilha de São Miguel no Inverno à ocorrência de cheias e derrocadas.


Geologia
A Freguesia da Ribeira Quente (Concelho da Povoação) na zona nordeste da costa sul é constituída por Andesitos e Andesitos Períodotíticos enquanto que na zona noroeste da costa sul é constituída por material Complexo Basáltico Nordeste. O material que abrange a maior parte da Freguesia é os Materiais Piroclásticos e Materiais de Projecção (Cor Salmão), enquanto que na zona centro encontra-se a (Cinzento) Rochas eruptivas, Traquilos e Latilos.


Tectónica
É muito visíveis filões, falhas e deslizamentos na Freguesia. A freguesia situa-se numa área sísmica marcada pela presença de estruturas tectónicas regionais e também pela presença dos sistemas vulcânicos das Furnas e Povoação.

Riscos Geológicos
Dos diversos riscos geológicos existentes destacam-se os movimentos de massas, as cheias e enxurradas e, finalmente, os riscos vulcânicos e sísmicos.

Movimentos de Massas
O território desenvolve-se no sector mais antigo na ilha de S. Miguel. Os movimentos de massa representam geomorfologicamente um dos principais processos activos que se encontram presentes na maior parte das taludes. As áreas de elevada cota, com declives acentuados, proporcionam extensos movimentos de massa, correspondente às enormes quantidades de material deslocado. Por outro lado a alteração geoquímica de importantes formações vulcânicas, ligadas a factores geocronológicos, permitem o aparecimento de algumas áreas geotecnicamente instáveis geralmente em vales apertados.

Cheias e Enxurradas
Ciclicamente, as Ilhas dos Açores são atingidas por cheias e enxurradas. As chuvas intensas, a acção Humana outros factores da natureza geodinâmica contribuem para o desencadear de situações de catástrofe. Em termos recentes, a área foi alvo de diversas cheias que afectam o território. A zona apresenta um perigo elevado de cheias e enxurradas que advêm dos factores de localização geográfica e de configuração topográfica do espaço, que promovem uma elevada precipitação, por vezes torrencial. As características particulares geomorfológicas dendríticas e encaixadas das redes de drenagem de características perenes ou torrenciais e as zonas de acondicionamento dos afluentes acumulam rapidamente grandes quantidades de água. O declive, a altitude das camadas, a vegetação, a cobertura dos solos, e a meteorização contribuem para o agravamento no desenvolvimento de torrentes.

Perigo e risco vulcânico e sísmico
Os sismos, para além de promoverem as conhecidas oscilações no terreno, poderão introduzir, de acordo com diversas características, a formação de movimentos de massa, liquefacção do terreno, avalanches, descontinuidades no terreno ao longo de falhas, tsunamis, cheias resultantes do colapso de taludes e fogos. A propagação das ondas sísmicas parece fazer-se principalmente ao longo das falhas, dos desligamentos e dos filões. A espessura dos depósitos piroclásticos no terreno aumenta a perigosidade, tal como a presença de depósitos aluvionares que poderão amplificar as ondas sísmicas através do fenómeno - “efeito de sítio”.

Uso do Solo
O sistema de Classificação de Capacidade de Uso do Solo é estabelecido com base na identificação das limitações permanentes do solo, ou seja das características do solo que em combinação com o clima execrem um efeito adverso na utilização dos solos. O sistema de Classificação de Capacidade de Uso, desenvolvido por Sampaio, Pinheiro & Madruga (1986), que consta no Quadro XXI , considera 7 classes de uso, em que a intensidade das limitações vai aumentando gradualmente da Classe I para a Classe VII. As primeiras Classes, de I a IV, compreendem os solos aráveis, ocupados por cobertos vegetais permanentes como as pastagens, as plantações florestais ou zonas de matos de vegetação natural.

Geomorfologia e Rede Hidrográfica


Pela análise da distribuição espacial das classes de capacidade de uso do solo na freguesia da Ribeira Quente (concelho Povoação), a partir da Figura

e do Quadro , é de realçar a ausência de solos aráveis (Classes I e IV), o que restringe os potenciais usos a práticas florestais muito pouco existentes face á reduzida capacidade de carga existente e obrigatoriamente valorizantes do ponto de vista ecológico e conservacionista. Porém, face aos valores relativos de ocupação do solo representados no Quadro acima pelas áreas de “Floresta de Produção”, podemos concluir que os usos estabelecidos excedem em larga escala a capacidade que o sistema biofísico tem de os suportar, aumentando assim drasticamente a probabilidade de ocorrência de catástrofes naturais (erosão acentuada, derrocadas e enxurradas, nomeadamente), sendo por essa razão aconselhada uma progressiva reconversão de ocupação do solo actualmente dominante por outra com impacte muito menor, como a plantação de espécies endémicas com carga adequada.

Ecologia
É protegida a zona norte da Ribeira Quente devido à Lagoa das Furnas por ser uma zona húmida onde à muita diversidade de Avifauna, Flora e Habitats.

(Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ribeira_Quente)

CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÓMICA 1

Actividades Económicas
A condição perante a actividade económica, em conjunto com a distribuição da população por sectores de actividade e profissões da população residente são indicadores que importa cruzar para se obter a caracterização e o perfil da estrutura socioeconómica do Concelho e análise.

Sector Primário
No sector Primário, a pecuária tem uma preponderância excessiva em detrimento da agricultura e exploração florestal. Com menor peso do que a actividade agrícola, as pescas no Concelho da Povoação ocupam 133 pessoas, o que representava 10,8% do total de pescadores da Ilha de São Miguel em 1985. As pescas mantiveram-se muito aquém do desenvolvimento desejável, especialmente por falta de Infra-estruturas de apoio e de embarcações adequadas.Com a construção do novo porto da Ribeira Quente e da Povoação, estas condicionantes são gradualmente ultrapassadas, facto que resultará na modernização do sector e no aumento das capturas, dado que as novas estruturas portuárias potenciarão a reconversão da frota pesqueira.

Pescas
As pescas constituem no concelho de Povoação uma actividade com algum impacto, principalmente na freguesia da Ribeira Quente, uma vez que esta freguesia está associada a grande parte da frota pesqueira de atum na Região Autónoma dos Açores. Existe um número de traineiras associadas a esta freguesia, considerável considerando o contexto regional.

Sector Terciário
Mais significativo ainda é o que se passa no sector terciário onde o concelho de Ponta Delgada concentra, por si só, 72,7% da totalidade dos estabelecimentos comerciais, enquanto que a Povoação detém 5%, maioritariamente retalhistas de produtos alimentares e vestuário. À semelhança do que acontece nos Açores, o concelho da Povoação, no que refere ao sector Terciário, é predominantemente marcado pelo comércio, essencialmente de cariz retalhista e de fraco alcance, tanto a nível do espaço geográfico como da procura potencial que satisfaz, facto para o qual concorre a existência de uma agricultura de índole familiar em que parte da produção se destina ao auto-consumo. Em 1990, a proporção de estabelecimentos retalhistas no total era cerca de 83%. O aparelho comercial caracterizava-se, pela fraca cobertura do espaço geográfico, com aproximadamente 1 estabelecimento por cada 5 km². No que respeita ao Turismo, existem actualmente no concelho 6 unidades a funcionar com um total de 108 quartos e 199 camas. Convém aqui sublinhar que o concelho possui um excelente Campo de Golfe e se esta infra-estrutura for bem enquadrada e optimizada poderá ser uma mola para a rentabilização das estruturas hoteleiras existentes e de outras que brevemente surgirão, captando assim as receitas directas e indirectas para o concelho.

Comércio
O comércio a retalho em estabelecimentos não especializados domina a principal actividade económica exercida pelos estabelecimentos comerciais, deixando para segundo plano o comércio a retalho de outros produtos novos em estabelecimentos especializados. Resumindo, o comércio a retalho, em estabelecimentos não especializados, na Povoação representa 12% do total do comércio da ilha, por número de estabelecimentos. Os estabelecimentos de comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos e comércio a retalho de combustíveis para veículos, no concelho da Povoação, já começam a apresentar um valor significativo, ou seja, um número de 10, contra 106 do concelho de Ponta Delgada. Relativamente à dimensão dos estabelecimentos comerciais em função de pessoal ao serviço, verifica-se que 63 (84%) dos estabelecimentos apresentam 3 ou menos pessoas, isto num total de 76 estabelecimentos do concelho, o que representa um valor (negativamente) elevado comparativamente com Ponta Delgada (62%) e ainda inferior à média da ilha, onde 68% dos estabelecimentos possuem até 3 pessoas. Na avaliação da dimensão das empresas em função do volume de vendas, 46% destas apresentam facturações inferiores a 49.880 euros, ou seja, um número elevado de empresas de empresas reduzidas, daí podermos inferir que são empresas familiares, que funcionam como empresários em nome individual.

Serviços
Os serviços, têm tido um peso específico crescente ao longo dos anos na actividade económica geral do concelho, quer no que respeita ao produto, quer quanto ao emprego. No concelho da Povoação predomina essencialmente o comércio retalhista em estabelecimentos não especializados, deixando para trás o comércio Grossista, que possui um peso diminuto. Ao nível dos serviços, o concelho dispõe de uma rede de balcões afectos à actividade bancária, que têm vindo a decrescer nos últimos anos, à custa dos efeitos da era informática, tentando aproximar-se da sua clientela sem aumentar os custos de funcionamento e de gestão.

Turismo
No que diz respeito ao turismo, na Ribeira Quente predomina o turismo Balnear, dispondo de uma praia (Praia do Fogo), de um restaurante muito visitado por turistas (Garajau), de um balneário, um Café-Restaurante á beira-mar (Costaneira).

Outros
A educação e saúde representam algum peso no emprego deste concelho, emprego este predominantemente público. O concelho possui um Centro de Saúde, Escolas de Ensino Básico, duas do Ensino Preparatório e uma de Ensino Secundário, bem como uma Escola Técnico Profissional. A saúde privada ainda não possui relevo neste contexto, o que naturalmente poderá resultar numa oportunidade uma vez que as necessidades da população são crescentes e existe uma enorme saturação deste mercado nos centros urbanos.
(Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ribeira_Quente)





CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÓMICA

Freguesia da Ribeira Quente

População

De acordo com os Censos de 2001, a Freguesia da Ribeira Quente conta com um total de 798 Habitantes é constituída pelas seguintes massas populacionais.

Em síntese, a pirâmide etária do Concelho, que se segue, dá conta de uma repartição mais minuciosa da população por grupos etários, em 2001, tornando perceptível constatar que o equilíbrio entre os sexos não se verifica em boa parte dos grupos etários.

O Escalão dos 10 aos 24 anos são as idades em que destacam a maioria da população (homens, mulheres), já no escalão dos 40 aos 85 ou + anos são as idades em que á um decréscimo da população (homens, mulheres).
A figura abaixo ilustra a evolução populacional da freguesia da Ribeira Quente entre 1900 e 2001.


A Freguesia da Ribeira Quente, tinha 1463 habitantes em 1900, não havendo registos até 1950, altura em que ocorre um aumento dos seus residentes (2126), crescendo ligeiramente até 1960 (2211) e iniciando, á semelhança de todas as outras, um processo de decréscimo da sua população que se prolongou até 2001 (quando registava apenas 798 habitantes).
O quadro seguinte apresenta alguns indicadores demográficos, que permitem observar as dinâmicas de crescimento natural, de natalidade, de mortalidade, de nupcialidade, de divórcio e de envelhecimento da população, no Concelho da Povoação:


O quadro seguinte apresentado mostra a evolução do parque habitacional com a população e com o número de famílias na freguesia da Ribeira Quente, entre 1991 e 2001:

A figura seguinte compara a população residente Empregada e Desempregada na freguesia da Ribeira Quente entre 1991 e 2001: - As taxas de desemprego demonstram um decréscimo significativo, de 1991 para 2001, na freguesia da Ribeira Quente (de 22,5 para 11,5%).

A figura que se segue permite reforçar a ideia de que a Ribeira Quente é uma Freguesia com baixas habilitações escolares.

A figura que se segue permite visualizar a Evolução das Taxas de Analfabetismo da População Residente na Freguesia da Ribeira Quente:

A figura apresentada ilustra a População Desempregada por Níveis de Instrução na Freguesia da Ribeira Quente.
- Na freguesia da Ribeira Quente, a maioria dos desempregados possui apenas o 1º CEB ou o 2º CEB.


O Quadro seguinte apresenta a População Residente Empregada, por Sectores de Actividade Económica, na Freguesia da Ribeira Quente: - O peso maioritário da sua população empregada recai no sector Secundário, embora próximo dos valores dos sectores primário e terciário.

O Quadro seguinte ilustra o número de Alojamentos Familiares Ocupados como Residência Habitual com Infra-estruturas Básicas, na Freguesia da Ribeira Quente:

(Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Ribeira_Quente)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A RIBEIRA QUENTE E OS ATAQUES DA PIRATARIA ARGELINA


"Os Argelinos em 1679 desembarcando à noite de dois xavecos, saltaram na praia da Ribeira Quente, e no portinho do Agrião; contornaram a montanha, e descendo ao raiar da aurora o Vale das Furnas, roubaram alguns carneiros, e volveram para bordo dos xavecos, depois de terem praticado alguns latrocínios na Ribeira Quente.
Os pescadores da Ribeira Quente dando disto aviso aos povos de Ponta Garça, e Vila Franca, marcharam com alguma tropa a estes lugares; porém como as antigas estradas, ou melhor diremos, péssimos carreirinhos, haviam sido obstruídos pelos tremores e cinzeiro do ano de 1630, seguindo a tropa tortuosas veredas, chegou quase à tarde, hora em que nem no horizonte já viam os xavecos.
Indo a Vila Franca, em correição, o Desembargador Luiz Mattoso Soares, assim se expressou no ano de 1682: 'Fui informado que o caminho da Gaiteira para a Ribeira Quente é tão importante, que está provido em muitas correições que se faça o dito caminho, sem até agora se dar comprimento a eles, e tudo se resume em requerimentos, sem se obrar cousa alguma, e ouvidas as dificuldades e a importância deste caminho, não somente necessário para a passagem dos moradores, mas também importante para a defesa desta ilha, para se poder acudir à invasão dos inimigos, que poderão fazer por aquela parte, como se tem experimentado haver entrado os Mouros naquele porto, sem se poder acudir a este dano com a prontidão necessária, por falta do devido caminho que vai para a Povoação; e se me fez queixa, pelo Pároco do lugar de Ponta Garça, que alguns fregueses morreram sem sacramentos por falta destes caminhos; e por eles Oficiais da Câmara, e pessoas da Governança, que se acharam presentes, foi dito: que o dito caminho se poderia fazer com a despesa de 20$000 réis pouco mais, com a ajuda das companhias daquele distrito, o qual caminho se devia fazer com mais conveniência e segurança, por onde se chama a Grota da Amora, até sair aonde se chama a Lobeira, e o Forno, o qual caminho serão obrigados mandar fazer os Oficiais da Câmara.'"

(extraido de Bernardino José de Sena Freitas, Uma Viagem ao Valle das Furnas na Ilha de São Miguel, em Julho de 1840, pp. 7-19, Imprensa Nacional, Lisboa)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A CRIAÇÃO DA FREGUESIA DA RIBEIRA QUENTE / COMPLEMENTO HISTÓRICO


A Ribeira Quente foi elevada à categoria de freguesia a 24 de Junho de 1943 pelo decreto-lei n.º 32867 da então Direcção Geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior. No despacho ministerial lê-se o desejo dos chefes de família eleitores na criação de uma nova freguesia "alegando para isso razões de ordem económica e administrativa e demonstrando a conveniência que adviria para a população se se criasse a circunscrição administrativa como desejavam". O despacho é assinado por várias entidades, entre as quais destaque-se o Presidente da República Marechal Óscar Carmona, o chefe de governo António de Oliveira Salazar e vários ministros de então, entre os quais, destaque-se, os do Interior, Mário Pais de Sousa, e das Obras Públicas, Duarte Pacheco.
Este desejo antigo do povo da Ribeira Quente muito ficou a dever-se aos esforços e ao entusiasmo generoso do seu Pároco de então, o Padre José Jacinto da Costa. É grande, por isso, o jubilo do Pároco que escreve no Livro de Tombo da Paróquia: "Desde há muito estava no ânimo deste povo desmembrar este lugar da freguesia a que pertencia, Mãe de Deus da Vila e Concelho de Povoação, já pela distância que os separa da referida freguesia, já pelas regalias que adviriam pela criação de uma nova freguesia, tendo este assunto sido debatido em anos anteriores (no tempo em que os Drs. Francos da Ribeira Grande andavam no Parlamento), sem que obtivessem o resultado desejado".
O Padre José Jacinto da Costa faz questão de deixar consignado no Livro do Tombo da Paróquia o nome daquele que com a "melhor vontade" redigiu o requerimento com a petição ao Ministro do Interior para elevação da Ribeira Quente a freguesia (documento escrito dois anos antes, a 18 de Junho de 1941): é ele o doutor Caetano José Travassos de Lima, conservador do Registo Predial de Povoação, "a quem este povo pela voz do seu pároco rende as suas mais sentidas homenagens e agradecimentos."
Todavia, refere-se no mesmo Livro de Tombo, vontades e influências se movimentaram para que a Ribeira Quente se elevasse à categoria de freguesia. É o próprio Padre José Jacinto da Costa que o atesta: "Depois de enviado o requerimento supra ao seu destino, a pedido do pároco actual, conjugaram-se algumas influências para o deferimento favorável junto daquele membro do Governo, como foram: o Governador Civil efectivo, o Capitão de Cavalaria Rafael Sérgio Vieira; o Governador substituto, Doutor Hermano de Mendonça Dias; o Deputado por este círculo, Engenheiro António Hintze Ribeiro e seu tio, o grande benemérito Doutor Guilherme Poças Falcão".
Mas ao lado destas boas vontades haviam, também, como sempre, as más vontades. E o Padre José Jacinto da Costa não se coíbe, com coragem, de lavrar em acta o seguinte desabafo: "Ao lado destas boas vontades, havia más vontades, que se opunham à criação desta freguesia, alegando que a Ribeira Quente não possuía gente competente para formar uma Junta de Freguesia (a Câmara da Povoação). Deve ficar registado neste livro que nesta data não era intenção do Governo criar mais freguesias, mas a boa estrela protegeu este nosso desiderato."
É o próprio Padre José Jacinto da Costa que a 26 de Maio de 1943 recebe do deputado pelo círculo da ilha de São Miguel, António Hintze Ribeiro, em forma de telegrama, a boa notícia do despacho governamental, ainda antes da sua promulgação no Diário da República: "Felicito Vossa Excelência e Povo pela nova freguesia criada. Foi assinado Decreto por Sua Excelência o Ministro a quem devem agradecimentos, assim como a Sua Excelência o governador do Distrito, cumprimentos, António Hintze Ribeiro, Deputado da Nação".

terça-feira, 16 de setembro de 2008

VISITA PASTORAL DE 2002 - D. ANTÓNIO SOUSA BRAGA


Nos dias 29 e 30 de Novembro de 2002, fiz a Visita Pastoral à Paróquia da Ribeira Quente. Depois da recepção à porta da igrej paroquial, presidi à Celebração Eucarística, com uma assembleia que praticamente enchia a igreja.
No primeiro dia, tive um encontro com os alunos e professores da Escola, todos reunidos no edifício do Fogo. As crianças cantaram e eu pude dialogar e rezar com elas.
Visitei igulmente o Centro Social Paroquial, onde contactei com as crianças do ATL e as senhoras do artesanato.
O Centro Social Paroquial tem prestado um relevante serviço de promoção humana na freguesia, sob a orientação do Pároco, o Padre Silvino Amaral, que tem acompanhado o seu desenvolvimento, desde os patamares de pobreza e de miséria, até à situação actual de desafogo e bem estar.
A sua função foi determinante, por ocasião da catástrofe de 31 de Outubro de 1997, seja como apoio logístico, seja como instituição que apoiou e coordenou as ajudas.
Terminei o dia com a visita à Junta de Freguesia, ao porto e à Cooperativa dos Pescadores.
A freguesia transformou-se totalmente, também no seu aspecto externo. Ficou com um óptimo porto e uma admirável orla marítima. Todas as famílias sinistradas têm a sua situação habitacional resolvida. Não se tornou a construir no local sinistrado, mas atribuiram-se casas noutros locais.
No segundo dia, visitei os doentes e idosos acamados, que apreciaram, como sempre, o diálogo e o momento de oração. De assinalar a abertura e a expressividade das crianças, a denotar um bom nível de socialização.
À tarde, reuni-me com os membros do Conselho Pastoral, com representantes dos vários movimentos e grupos paroquiais. Do diálogo resultou o seguinte quadro de vida paroquial:
A Catequese está organizada, conforme o itenerário operacional de 10 anos. Há 13 catequistas para 137 crianças. Há salas próprias para Catequese, ao lado do Centro Social Paroquial.
Há rotativamente reuniões semanais de catequistas, ACR e Reflexão Bíblica, uma vez que são as mesmas pessoas que integram estes grupos, que, assim se apoiam reciprocamente a nível formativo.
Funciona um agrupamento do CNE, com sede própria muito boa. São 70 elementos, entre os quais se contam 18 chefes, o que por si, já constitui uma proeza. O agrupamento está muito ligado à freguesia e à Paróquia, numa feliz coperação. Muitos jovens têm passado ou foram atingidos pelo espírito Escuta. Tem havido muito intercâmbio com os agrupamentos do Continente e das outras Ilhas.
Há um Grupo de Jovens, com 13 elementos, animado pelo Márcio Pimentel. Tem promovido algumas iniciativas, como por exemplo a Semana da Palavra e a publicação do Boletim Paroquial O Búzio. Está prevista a montagem de uma Creche, a funcionar durante a Missa, para cuidar das crianças até aos seis anos.
Desde 2001, relançou-se o Rancho de Romeiros, que tem mantido reuniões mensais de formação, além da preparação imediata para a Romaria.
Foi também renovado o Grupo Coral, integrano, além dos adultos, também crianças e jovens. Reunem-se duas vezes por semana para prepararem o canto e as leituras.
A Liga Eucarística, embora um pouco esmorecida, continua a reunir-se uma vez por mês. A Legião de Maria é que, praticamente, está inactiva, uma vez que os seus membros estão integrados noutros grupos.
Há uma Equipa de Formação, que cuida dos CPB e CPM, das Assembleias Paroquiais e de outras eventuais acções de formação.
Todos os Domingos reune-se o Grupo de Oração Neo-Carismática com o seu espírito de oração dentro de uma espiritualidade renovada, assente na fé e acção do espírito Santo.
Três Ministros Extraordinários da Comunhão visitam semanalmente os doentes e idosos acamados.
Apesar do Núcleo Cáritas não estar muito activo, neste momento, há grande acção social, através da Acção Católica, que teve grande implantação na Paróquia e, sobretudo, através do Centro Social Paroquial, que, além das valências actuais, tem-se habilitado a vários programas financiados pela UE, que muito têm beneficiado a população.
Resumindo e concluindo, apesar de todos os condicionalismos da época actual, a Paróquia mantém-se viva e tem muita gente empenhada, que celebra generosamente com o Pároco, bem aceite e muito apreciado.
Aqui é bem visível a presença significativa da Igreja, não só pela sua actividade religiosa, mas também pela sua acção, em favor da promoção humana. A Igreja, através do Pároco e do Centro Social Paroquial, foi acompanhando e conduzindo o desenvolvimento da comunidade local. Os grandes passos, as grandes conquistas da freguesia foram acontecendo sempre com o apoio e a partir da iniciativa da Igreja. Isto deve-se muito ao empenho do Pároco, o Padre Silvino Amaral.
Está, pois, de parabéns, com toda a sua comunidade paroquial.
Em perspectiva de futuro, apoio claramente a intenção de adquirir o prédio ao lado do Centro Social Paroquial. É uma boa oportunidade, que vem enriquecer o património paroquial, abrindo a possibilidade a iniciativas futuras. O financiamento de compra pode ser feito com a venda do Passal e do terreno anexo. Se isso não for possível, por falta de comprador, há a possibilidade de contrair empréstimo bancário, com o aval da Diocese. Infelizmente a Diocese, neste momento, não pode dar um contributo directo, porque está empenhada na construção dos Centros Pastorais de Ilha e na reconstrução das igrejas do Pico e do Faial, danificadas pelo sismo de 1998. Seja como for, o assunto merece toda a consideração.
A Visita terminou com a celebração do Sacramento do Crisma, cerimónia bem preparada, muito animada e participada.
Que o senhor, por intermédio de São Paulo e de Nossa Senhora da Graça, a todos abençoe.

António, Bispo de Angra

VISITA PASTORAL DE 1984

Fiz Visita Pastoral à paróquia de São Paulo da Ribeira Quente, ilha de São Miguel, no dia 18 de Janeiro de 1984.
Muito povo se associou a todos os actos da mesma, manifestando sua fé e boa índole cristã, bem como os sentimentos do seu coração simples.
Na eucaristia, com o Templo repleto de fiéis, quase todos participando com entusiasmo e fervor na oração, no canto e na comunhão - o que sublimo com apreço - se celebrou o Sacramento da Confirmação.
Visitei, após o almoço, os doentes da paróquia, todos com sentimentos piedosos e que são cuidadosamente assistidos pelo Rev. Padre Silvino Amaral, Pároco.
Pude verificar que existe alguma carência na casa de alguns, sendo de esperar que lhes não falte o apoio e ajuda de outros irmãos na fé.
Igualmente verifiquei que este povo, bom, trabalhador no mar e na terra, está longe de ser bem servido no que se refere a estruturas de base, como saneamento, água corrente e ruas devidamente pavimentadas, sendo de esperar das entidades oficiais - concelhias e regionais - o maior interesse e cuidado em ocorrer a tais carências, que hoje, felizmente, já não se verificam em muitas terras da ilha.
A união de boas vontades das gentes de Ribeira Quente com sua Junta de Freguesia poderá influir na solução rápida de problema de tal importância.
Por outro lado, parece também impor-se a união de quantos trabalham no mar para obterem o maior rendimento possível do fruto do seu esforçado trabalho, para isso organizando-se em estruturas de conservação e de distribuição e venda de pescado. Não poderão aceitar passivamente que só outros beneficiem do que lhes custa tanto a conseguir, para tal havendo de unir esforços e tomar construtivas, que a própria doutrina social da Igreja aponta como caminho a seguir.
No pequeno salão paroquial, contíguo à Igreja, tive um demorado encontro com elementos de Obras e Movimentos paroquiais, estando igualmente presente muito povo, gentes de todas as idades.
A Catequese está bem organizada, com bom número de catequistas, todas com zelo e boa vontade, ainda que seja necessário, as que ainda o não fizeram, participarem em um curso de iniciação, e as que já frequentaram fazerem um curso elementar, para sentirem melhor preparação no desempenho de tão útil missão.
Bom será que também homens e rapazes, estes recrutados dentre os do grupo de jovens e dos que hoje se Confirmaram, venham a ser catequistas, até pelo testemunho positivo que tal facto representará.
Igualmente se impõe organizar o pré-catecismo e promover com regularidade encontros de pais, para estes poderem participar com interesse e maior conhecimento na preparação cristã dos seus filhos.
Para darem a catequese faltam salas em número adaptadas condições, o que virá a solucionar-se com o desejado salão paroquial, para o qual já há terreno e se iniciaram os primeiros passos quanto ao respectivo projecto, sendo de esperar que todos colaborem generosamente na sua edificação, quando iniciadas forem as obras. Uma obra de tal envergadura merecerá, por certo, o apoio das entidades oficiais da Região, que espero lhe não falte, sem dispensar o contributo dos paroquianos da Ribeira Quente.
A Liga Eucarística, para homens e senhoras, actua bem, sendo de desejar que alargue cada vez mais o sentido e espírito eucarístico entre o povo.
A Acção Católica Rural, com 17 senhoras, tem bom espírito apostólico e mantém louvável acção apostólica.
Bom será que outros elementos, mesmo homens, se lhe associem, para assim se desenvolver, como é preciso, autêntico apostolado no próprio meio, procurando cada um colaborar na valorização moral e espiritual da própria freguesia. É, aliás, esse um dever de todo o baptizado e, mais ainda, do que se confirmou.
Também a JACF - Juventude Agrária Católica Feminina - está dando seus passos promissores na mesma linha de apostolado entre os jovens da paróquia.
Preciso é que outros jovens venham participar em suas actividades, para se valorizarem cada vez mais e serem elementos dinamizadores e santificadores da Igreja a actuar entre a juventude da Ribeira Quente.
Oxalá que alguns dos que hoje se confirmam e outros se decidam a cooperar em tão valido Movimento.
Há um bom grupo de adolescentes que reúne com regularidade e exigentemente é acompanhado em sua formação cristã, o que merece encómio.
Também cerca de 3 dezenas de jovens se vão reunindo para estudo dos próprios problemas. Importará que cada qual tire um propósito de acção apostólica a desempenhar junto dos outros e disso lhe peçam conta na reunião seguinte, par estímulo de todos.
Começou há pouco tempo o CNE que conta com cerca de 50 elementos, tendo bom trabalho de formação e de campo, o que é de louvar. Oxalá possa ter em breve uma sede onde melhor possa acomodar-se para a sua formação.
Muito mais recente é a LIAM - Liga Intensificadora de Acção Missionária - que merece o apoio de todos no seu desejo de avivar em cada um o sentido missionário e a colaboração para a Obra das Missões - fundamental na vida cristã.
Tem bom número de elementos o grupo coral, a quem cabe ser exemplo e dinamizador de todo o povo na vivência do culto de Deus pela liturgia participada e vivida.
É preciso fazer pequenos ensaios com o povo para que todos participem sempre mais no canto.
Alguns leitores se encarregam das leituras na Eucaristia Dominical, o que é de louvar.
Trabalha em boa harmonia com o Rev. Pároco e com zelo o Conselho Administrativo, à sua frente temos agora a obra do salão paroquial, que Deus queira não demore muito a iniciar a sua construção, pela falta que faz.
Com louvor sublinho a existência do Conselho Pastoral de Paróquia para a coordenação de actividades comuns e dinamização dos Movimentos e Obras existentes.
Procurará, além de integrar os agora confirmados em Obras e Movimentos existentes, fazer com que se organizem grupos de casais para reunirem regularmente e se ajudarem no estudo e reflexão da espiritualidade própria, na acção de apostolado com os outros casais e na defesa da família e seus valores.
Também procurará que as viúvas se organizem no MEV - Movimento de Esperança e Vida, assim descobrindo o caminho próprio e se ajudando umas às outras.
Sobre Pároco e paroquianos invovo a benção de Deus.

Ribeira Quente, 18 de Janeiro de 1984

Aurélio, Bispo de Angra