Em Janeiro foi oferecida à Igreja terra sita ao Mato Barreto com a dimensão de 3 alqueires de José Melo Melão.
Que prossegue o entalhamento do Altar de Nossa Senhora de Fátima.
Que se completou uma dependência no lado poente da igreja, com o comprimento de 23 metros e largura de 6 metros, a qual se assemelha a um Salão Paroquial. Este foi inaugurado em 10 de Novembro, aquando da promessa dos Lobitos do C.N.E.
Que anexo à dependência supra se inaugurou um campo de pequenos desportos apropriado ao andebol, basquete e futebol salão.
Que se fez o primeiro juramento da F.A.C.F.
Que em 14 de Julho se realizou encontro da J.A.C., com a J.A.C.F. no Salão, e nas vésperas encontro no Agrião e depois na Lagoa das Furnas.
Que se deu passeio de camioneta até às Sete Cidades e Mosteiros, com músicos da Capela.
Que pregaram pelo Lausperene: Padre Agnelo Soares Almeida; festa de São Paulo, Padre Benjamim Pimentel Cabral; ofício de Almas Padre João Mota.
Funcionaram todos os organismos existentes.
Comungaram 24.987 vezes.
Blog sobre a História da Freguesia da Ribeira Quente, Concelho da Povoação, Ilha de São Miguel - Açores.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
VISITA PASTORAL DE 1964
Mais uma vez a Ribeira Quente deu mostras da fé viva que acalenta os corações; grande, na verdade, é a fé deste povo e a sua dedicação à Igreja! Não podemos esquecer o entusiasmo e o carinho como os bons homens nos foram esperar em extenso cortejo, no início da paróquia. Sempre esta terra será abençoada pelo Divino Espírito Santo, que reina em todos os corações. Na terra ou sobre o mar, nos trabalhos e nos perigos, sempre a alegria existirá nas nossas almas.
Felicitamos o Rev. Padre Silvino Amaral e todos os que com ele colaboram com os seus trabalhos e sacrifícios. Sabemos que todos os bons filhos da Ribeira Quente estão inscritos na O.V.S. e não se esquecem de rezar pelo nosso Seminário e para a santificação dos sacerdotes e seminaristas, o que é penhor certo de que sempre terão um sacerdote santo a indicar-lhes o caminho do bem.
Deixamos uma benção ampla e com ela o nosso coração de Pastor agradecido.
Ribeira Quente, 14 de Fevereiro de 1964
Manuel Afonso de Carvalho, Bispo de Angra
Felicitamos o Rev. Padre Silvino Amaral e todos os que com ele colaboram com os seus trabalhos e sacrifícios. Sabemos que todos os bons filhos da Ribeira Quente estão inscritos na O.V.S. e não se esquecem de rezar pelo nosso Seminário e para a santificação dos sacerdotes e seminaristas, o que é penhor certo de que sempre terão um sacerdote santo a indicar-lhes o caminho do bem.
Deixamos uma benção ampla e com ela o nosso coração de Pastor agradecido.
Ribeira Quente, 14 de Fevereiro de 1964
Manuel Afonso de Carvalho, Bispo de Angra
ANO 1962 / ARQUIVO PAROQUIAL
No ano de 1962 registaram-se 431 fogos; 76 baptismos; 21 casamentos; 14 óbitos; 376 crianças inscritas na catequese, num total de 2.330 almas. Houve 16.799 comunhões. O rendimento disponível da Igreja 37$521.72; a percentagem diocesana foi de 4$169.08. O produto dos indultos pontifícios foi de 953$50. Houve 200 inscritos na Liga Eucaristica dos Homens, com missa celebrada mensalmente pelos cotizantes. Fez-se o terço colectivo dos homens com prática de formação no dia 13 de cada mês. Foi normal a vida da L.A.C.F., J.A.C. e J.A.C.F. Celebraram-se as festividades do Divino Espirito Santo, promovidas pela mesa da Irmandade para tal erecta. Nas festividades do orago foi pregador o Rev. José Ribeiro Martins. Fez-se o Lausperene com tríduo preparatório e missa cantada no dia final; o pregador foi o Rev. Padre Hermenegildo Oliveira Galante. Pelo ofício solene pelos defuntos da paróquia pregou o Rev. Padre João Raposo Leite. Celebrou-se com a pompa habitual o mês de Maria, do Rosário, de São José, das Almas, do Sagrado Coração de Jesus. Fizeram-se as novenas do Natal, Nossa Senhora da Conceição e do Espírito Santo. Os enfermos foram uma vez visitados solenemente e amiudadas vezes particularmente. Nos Domingos e Festas da Quaresma houve via sacra. Fizeram-se reuniões do curso pré-matrimonial, de mães e de catequistas. Foi fundada a O.V.S. Durante este ano foi concertado o passal com a construção de um quarto de banho, loja para despejo, muralha de protecção, currais, galinheiro e cimentação do pátio de trás. A Igreja foi retelhada, caiada e pintada de novo. Finalmente foi cimentado todo o adro.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
A IDA DA IMAGEM DE SÃO PAULO À POVOAÇÃO NO CENTENÁRIO DA IGREJA MATRIZ - 1956

No dia trinta de Setembro do corrente ano comemorou a Vila da Povoação a data do primeiro centenário da sua muito linda e rica Igreja Matriz. Templo magnífico que neste dia ostentava as suas mais vistosas alfaias e que depois de restaurado ficou a dever toda a sua beleza ao respectivo Vigário e Ouvidor o Rev. Padre João Maurício de Amaral Ferreira.
A Ribeira Quente também tomou parte activa nesta grandiosa festividade, que certamente durará por muitos anos na memória das gerações presentes e na imaginação das que lhes sucederem, por tal lhes terem relatado.
Amanheceu o dia trinta, sombrio, chuvoso e rajadas de vento muito fresco do quadrante lés-sudeste.
Logo manhã cedo já no porto desta localidade havia grande azáfama entre os marítimos que engalanavam vistosamente as respectivas embarcações. Ranchos de forasteiros, a despeito da chuva miudinha e continuada, largavam em debandada para a Povoação. Com efeito a Capitania do porto não autorizara a ida de pessoas sem que estas possuíssem cédula marítima. Após a missa da manhã largou a imagem veneranda do nosso Padroeiro São Paulo a caminho do porto, onde aguardava grande multidão e o barco que a transportaria até à Povoação. Foi este escolhido por sorteio e que veio a cair no barco do falecido Manuel Louro e tendo como arrais próprio António do Rego. Lá fora na baía o mar estava revolto e nela unicamente se encontravam ancorados os barcos a motor das companhias Lory e João Carreiro, e que eram ao todo cinco, todos do comando de arrais desta freguesia. Após a missa do dia, eram então cerca de onze horas, o mar acalmou um tanto e nessa ocasião recebia eu chamada telefónica do muito Reverendo Ouvidor, que apesar do enorme trabalho que o rodeava, ainda queria inteirar-se do que por cá sucedia. resolvemos saber das condições do mar da Povoação, porque daqui, mal a imagem de São Paulo ao sair da residência do senhor Abel Inácio e que vinha lindíssima, afim de ser colocada no barco escolhido para tal, os homens do mar, num como que grito uníssono exclamaram "Vamos embora, ala barcos à água!" E imediatamente uns após outros lá galgaram as ondas rendilhadas de espuma, rompendo as águas marinhas, que em cachões lhes lavavam os leitos da proa e encharcavam as tilhas.
Começaram a atracar os barcos da pesca aos outros motorizados que se encontravam fundeados na baía.
Era lindo e digno de registo o espectáculo que a nossos olhos se oferecia. Em terra aproximava-se do mar o barco transporte da imagem do nosso Padroeiro. A multidão comprimia-se, e em toda a faixa litoral completamente apinhada de gente, milhares de lenços, como garças de alvor arminho adegando sem cessar; viam-se lenços de todos acenando adeus ao seu padroeiro, enquanto que marejados de lágrimas os velhos saudosos dos que ficavam, e de comoção inexplicável os dos que partiam. Milhares de foguetes e morteiros estrujiram os ares, na altura em que São Paulo, sem um único respingo do mar, entrou mar adentro, lembrando assim as viagens que outrora fizera em pessoa, afim de "pregar a Jesus O Crucificado."
Hasteada no mastro altaneiro da embarcação que conduzia o Padroeiro, ia a bandeira auri-branca da Igreja Católica. Na mesma embarcação a respectiva tripulação, o Pároco, o seminarista João Jerónimo e os calafates da minúscula embarcação que seguravam o andor de São Paulo. Dada a ordem de marcha pelo pároco, todas as embarcações, em duas grandes indo ao centro, e um pouco para ré, a de São Paulo, descreveram uma curva graciosa ficando a terra primeiro a sotavento e depois a barlavento. De todas as naves da escolta subiam aos ares muitos foguetes e morteiros alguns destes de grande potência. Ao dobrarmos a Ponta do Garajau, já lá ao longe se divisava a enorme massa humana que se postara no litoral da Povoação esperando ansiosamente a nossa chegada.
À maneira que nos fomos aproximando mais e mais se divisava o colorido mitigado das gentes em expectativa na praia. Como íamos um pouco mar adentro, afim de melhor aproar ao vento, todas as caras estavam voltadas para bombordo e lágrimas quentes de alegria rolavam soltas pelas faces vincadas e curtidas destes homens do mar, gente crente, rude como as tempestades, mas simples, desafectados e sinceros. O desembarque foi maravilhoso e sem novidade. A Procissão na Vila da Povoação o mais imponente que podemos imaginar. O Reverendo Ouvidor radiante, o tempo, associando-se a toda esta festividade, amainou o vento, o sol brilhou e o mar serenou, quis assim com esta orquestra de elementos naturais dar a sua quota parte a esta celebração memorável.
Às vinte e três horas, ou vulgarmente dizendo, às onze horas da noite, estávamos de regresso à nossa Paróquia.
São Paulo, dizia-nos com graça o Ex.mo Governador Civil deste Distrito, senhor Dr. Carlos de Paiva, "FOI O SANTO DO DIA." E com efeito por toda a parte atraía para o seu andor os olhares dos fiéis, e sobretudo a curiosidade das criancinhas embevecidas, ao verem os apetrechos de pesca em miniatura, que se encontravam no barquinho do seu andor. Uma banda de música acompanhou-nos até ao cais. A multidão de novo nos acompanhou e sempre as mesmas lágrimas, a mesma fé e as mesmas cenas comoventes à roda da veneranda imagem do nosso querido São Paulo. O barco vai entrar na água, e o povo, na sua fé para com São Paulo, deseja uma recordação... de São paulo. Arrancam-lhe as flores do andor, as pedras e a areia que o enfeitam regionalmente. Todos querem uma lembrança e todos querem vê-lo e tocar-lhe com objectos, tais como terços, medalhas, etc.
A baía da Povoação é agora um mar de luzes. Os barcos a motor acendem os faróis eléctricos indicativos da navegação, verde-rubros, e os da pesca levantam à borda os seus de petromax. De novo a mesma formação, mas a encoberto da noite, muitos dos forasteiros idos por terra, saltam para as naves e enquanto de terra se espalham pela praia os sons de cânticos à Virgem, do mar as vozes graves, predominando os marítimos que espalham pelo ar os acordes do Hino de São Paulo.
Apesar de extenuado e não obstante a hora já avançada da noite, o Reverendo Ouvidor, incansável, presente em toda a parte, ora dando ordens, ora cantando com a multidão, é o último a dizer-nos adeus e a desejar-nos Boa Viagem.
O percurso até ao nosso porto foi o melhor que poderíamos desejar e uma vez mais os filhos da Ribeira Quente estão àquela mesma hora da noite todos à espera do seu Padroeiro. Na praia não cabe mais ninguém e todos empunham velas acesas nas mãos. O desembarque foi muito feliz, mas moroso. Todos estão cansados mas muito contentes. Organizada a procissão vem São Paulo entre luzes e cânticos para a sua Igreja que foi desta feita pequena de mais para conter a multidão. Acção de graças, cânticos a plenos pulmões e Benção do Santíssimo. Eis o epílogo desta Festa que jamais os filhos desta minha terra e eu olvidaremos. L. D. V. M.
São Paulo da Ribeira Quente, 1 de Outubro de 1956
O Vigário Ecónomo
Padre Antero Jacinto de Melo
ANO DE 1960 - PRECES À SENHORA DE FÁTIMA A 13 DE OUTUBRO

De harmonia com a carta pastoral que o actual Bispo de Leiria dirigiu a todos os bispos do mundo e em obediência a D. Manuel Afonso de Carvalho que pediu que em cada paróquia fossem feitas preces à Senhora de Fátima com confissões, comunhões e uma Hora Santa na noite de 12 para 13 de Outubro de 1960, resolveu-se solenizar essa data com três dias de preparação com confissões, uma procissão de velas na noite de 12 para 13 de Outubro seguida de Hora Santa. Foi grande a afluência e entusiasmo dos fieis que calorosamente cantaram e pediram à Senhora pela paz do mundo.
Aqui fica arquivado para contestar a fé dos presentes à Senhora de Fátima e a adesão ao seu actual prelado, D. Manuel Afonso de Carvalho.
Ribeira Quente e Arquivo Paroquial, aos 14 de Outubro de 1960
O Pároco
Padre Silvino Amaral
ANO DE 1959 - VISITA PASTORAL DE D. MANUEL AFONSO DE CARVALHO
É com o mais vivo reconhecimento que agradecemos a apoteótica homenagem que Ribeira Quente nos quis prestar. Realmente é uma terra onde há fogo, onde a fé está bem ardente. Tudo se encontra na melhor ordem e pedimos ao Divino Espírito Santo que sempre nos ilumina, vivifica e ampara, que habite nas nossas almas e nos acompanhe através da nossa existência.
Deixamos uma benção especial, penhor das bençãos divinas, dum modo particular, para os bons marítimos, pedindo que nunca nos esqueçam nas suas orações, quando se dedicam á faina da pesca.
Parabéns ao bom povo da Ribeira Quente e felicidades ao Reverendo Vigário, Padre Antero Jacinto de Melo, pelos êxitos obtidos.
Ribeira Quente, 16 de Março de 1959
Manuel Afonso de Carvalho, Bispo de Angra
Deixamos uma benção especial, penhor das bençãos divinas, dum modo particular, para os bons marítimos, pedindo que nunca nos esqueçam nas suas orações, quando se dedicam á faina da pesca.
Parabéns ao bom povo da Ribeira Quente e felicidades ao Reverendo Vigário, Padre Antero Jacinto de Melo, pelos êxitos obtidos.
Ribeira Quente, 16 de Março de 1959
Manuel Afonso de Carvalho, Bispo de Angra
- ANO DE 1955 - TOMADA DE POSSE DO PADRE ANTERO JACINTO DE MELO COMO PÁROCO DA RIBEIRA QUENTE
Aos catorze dias do mês de Setembro do ano de mil novecentos e cinquenta e cinco tomei posse desta paroquial de São Paulo da Ribeira Quente, lugar da minha naturalidade. Nesta paroquial que ora me foi confiada, fui eu baptizado, nela pela primeira vez subi ao altar do Todo-Poderoso, e nela agora vou continuar como pároco próprio, a acção desenvolvida pelos meus antecessores que, desde o grande Padre Angelo de Amaral até ao Padre José Jacinto da Costa, foram incansáveis no seu engrandecimento espiritual, e até material.
Sei portanto que é árdua a tarefa que me espera, mas confio na protecção do Senhor e na ajuda do meu muito querido padroeiro São Paulo. É difícil ser-se alguém, quando após alguém que o soube ser, e de maneira tão evidente como todos os párocos que por aqui passaram.
"Jesus Coepit Facere et Docere", eis o que Ele de mim exige - primeiro o trabalho e a seguir o ensinar.
"Facere et Docere". Já vim, aqui estou Senhor! E agora... Vou começar.
Ribeira Quente, 14 de Setembro de 1955
Padre Antero Jacinto de Melo
Sei portanto que é árdua a tarefa que me espera, mas confio na protecção do Senhor e na ajuda do meu muito querido padroeiro São Paulo. É difícil ser-se alguém, quando após alguém que o soube ser, e de maneira tão evidente como todos os párocos que por aqui passaram.
"Jesus Coepit Facere et Docere", eis o que Ele de mim exige - primeiro o trabalho e a seguir o ensinar.
"Facere et Docere". Já vim, aqui estou Senhor! E agora... Vou começar.
Ribeira Quente, 14 de Setembro de 1955
Padre Antero Jacinto de Melo
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