Deve ficar registado neste livro a aquisição de um harmónio fixo, em segunda mão, mas quase novo, que foi comprado ao Vigário de São Pedro de Vila Franca do Campo, Padre Lucindo Teixeira Mendes Andrade, por sete mil escudos (7.000$00). Muito se esforçou para esta aquisição o digno seminarista João Vieira Jerónimo desta freguesia, bem como os elementos da Capela, percorrendo várias vezes os paroquianos e pescadores deste porto, que da melhor vontade deram a sua esmola - bem haja pos a todos.
Também acabou de vestir-se esta Igreja com sanefas nas janelas, bem como cortinas oferecidas pelo senhor José Azeredo e sua esposa, vindos da América. As sanefas importaram na quase totalidade em cinco mil escudos (5.000$00).
Como epílogo tenho a acrescentar que no dia 14 de Setembro de 1955, saí para a Paróquia de Santa Luzia das Feteiras de Ponta Delgada, conforme nomeação feita pelo senhor Bispo Coadjutor D. Manuel Afonso de Carvalho. Para me substituir vem o Padre Antero Jacinto de Melo, natural desta freguesia, ordenado à seis anos e que paroquiava no lugar da Covoada, Concelho de Ponta Delgada. Vou substituir o Padre Carlos Lopes que foi transferido para a freguesia do Raminho da Ilha Terceira e que com agrado pastoreou aquela freguesia das Feteiras durante oito anos. O Padre Laudalino de Sousa Duarte Frazão, cura da Povoação, foi transferido para a Lomba da Maia.
Deus abençoe o bom povo da Ribeira Quente e a mim me ajude a levar a cruz sacerdotal.
Ribeira Quente e Arquivo Paroquial, aos 14 de Setembro de 1955
O Pároco
Padre José Jacinto da Costa
Blog sobre a História da Freguesia da Ribeira Quente, Concelho da Povoação, Ilha de São Miguel - Açores.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
REQUERIMENTO DIRIGIDO AO MINISTRO DO INTERIOR PARA A ELEVAÇÃO DO LUGAR DA RIBEIRA QUENTE A FREGUESIA
Senhor Ministro do Interior,
Excelência
Os abaixo assinados constituindo a maioria absoluta dos chefes de família eleitores neste lugar da Ribeira Quente, freguesia da Mãe de Deus da Vila da Povoação, Distrito de Ponta Delgada e com residência habitual ali, requerem a Vossa Excelência se digne criar uma freguesia neste lugar nos termos do artigo 9º do Código Administrativo e com os fundamentos que passam a expor:
1º- Tem a Ribeira Quente 1768 habitantes pelos resultados provisórios do requerimento de 1940.
2º- Conta obter receita ordinária anual de cerca de 2.000$00, a qual é suficiente para ocorrer aos seus encargos.
3º- Dista da sede de Freguesia (Vila da Povoação) 15 quilómetros e da freguesia mais próxima (Furnas) 8 quilómetros.
4º- Para registos de nascimento e casamentos sofrem os interessados grandes despesas e demoras para irem ao Registo Civil daquela Vila, e tratando-se de óbitos mais dispendiosa e morosa se torna, por isso, quem tem de ir à Vila obter certificado de óbito e às Furnas para chamar o médico assistente para vir verificar o óbito. Além disso é frequente precisar esta população de atestados do Regedor e de certificados da Conservatória do Registo Civil e para isso tem de percorrer trinta quilómetros, ida e volta, com a agravante de não haver carreira de camionetas, nem possibilidade de a estabelecer.
5º- É indispensável haver na Ribeira Quente autoridade judicial, Juiz de paz, além da polícia para manter a ordem, e Casa de Pescadores, visto na Ribeira Quente a maioria dos homens viverem da pesca.
6º- Com a criação desta freguesia não fica a freguesia de origem (Povoação) privada dos recursos indispensáveis à sua manutenção.
7º- Existem neste lugar pessoas aptas ao desempenho das funções administrativas em vigor suficientes para assegurar a renovação da Junta de Freguesia.
8º- Todas as vantagens e comodidades se conseguiriam e os incovenientes, despesas e aborrecimentos desapareceriam com a criação desta Freguesia, que os abaixo assinados confiadamente esperam por ver a sua principal aspiração, que certamente o Estado Novo satisfará atento o interesse que sempre tem tomado pelo bem dos povos e da Nação.
A Bem da Nação.
Ribeira Quente, 18 de Junho de 1941
Excelência
Os abaixo assinados constituindo a maioria absoluta dos chefes de família eleitores neste lugar da Ribeira Quente, freguesia da Mãe de Deus da Vila da Povoação, Distrito de Ponta Delgada e com residência habitual ali, requerem a Vossa Excelência se digne criar uma freguesia neste lugar nos termos do artigo 9º do Código Administrativo e com os fundamentos que passam a expor:
1º- Tem a Ribeira Quente 1768 habitantes pelos resultados provisórios do requerimento de 1940.
2º- Conta obter receita ordinária anual de cerca de 2.000$00, a qual é suficiente para ocorrer aos seus encargos.
3º- Dista da sede de Freguesia (Vila da Povoação) 15 quilómetros e da freguesia mais próxima (Furnas) 8 quilómetros.
4º- Para registos de nascimento e casamentos sofrem os interessados grandes despesas e demoras para irem ao Registo Civil daquela Vila, e tratando-se de óbitos mais dispendiosa e morosa se torna, por isso, quem tem de ir à Vila obter certificado de óbito e às Furnas para chamar o médico assistente para vir verificar o óbito. Além disso é frequente precisar esta população de atestados do Regedor e de certificados da Conservatória do Registo Civil e para isso tem de percorrer trinta quilómetros, ida e volta, com a agravante de não haver carreira de camionetas, nem possibilidade de a estabelecer.
5º- É indispensável haver na Ribeira Quente autoridade judicial, Juiz de paz, além da polícia para manter a ordem, e Casa de Pescadores, visto na Ribeira Quente a maioria dos homens viverem da pesca.
6º- Com a criação desta freguesia não fica a freguesia de origem (Povoação) privada dos recursos indispensáveis à sua manutenção.
7º- Existem neste lugar pessoas aptas ao desempenho das funções administrativas em vigor suficientes para assegurar a renovação da Junta de Freguesia.
8º- Todas as vantagens e comodidades se conseguiriam e os incovenientes, despesas e aborrecimentos desapareceriam com a criação desta Freguesia, que os abaixo assinados confiadamente esperam por ver a sua principal aspiração, que certamente o Estado Novo satisfará atento o interesse que sempre tem tomado pelo bem dos povos e da Nação.
A Bem da Nação.
Ribeira Quente, 18 de Junho de 1941
COMPLEMENTO HISTÓRICO
A Ribeira Quente nasceu de forma identificada, por volta da segunda metade do século 17.
Mas, afinal, quem foram aqueles que formaram a comunidade sedentária deste lugar?
Qualquer tentativa para encontrar esta enigmática origem não pode passar além do campo das suposições, a não ser que, por mero atrevimento ou veleidade, alguém possa tirar algumas ilações daquilo que neste trabalho já foi dito.
O povo desta comunidade, posta de parte a faceta veraneante, surgiu pobre e viveu pobre no percurso da sua história agora largamente contada.
Se entrarmos no campo das suposições, baseando-nos em aparências físico-fisionómicas, podemos dizer que o segundo maior grupo étnico da Ribeira Quente, (os Regos) quer pelo seu moreno escuro, quer pelo seu comportamento e compleição, podiam ter tido algo a ver com os Sousas, Arrudas e Monteiros de Santa Maria; com os Botelhos e Bentos de Vila Franca e Povoação Velha, ou mesmo com os Resendes e Bentos do Faial da Terra.
Mas os PEIXOTOS DA RIBEIRA QUENTE, aquele imenso clã que sempre se identificou com o mar e só com o mar?...
Da compleição física entre o mediano e o alto, de temperamento arrebatado e de abarroada discussão que logo se tornava pacífica, era uma gente muito bonita, tanto homens como mulheres.
Com uma pele sardento-rosa-avermelhada, de olhos de um azul vivo e, muito demarcados de qualquer outro tipo de gente - como aquela que se fixou entre a Relva e a Bretanha, mas que nenhum historiador mencionou ou identificou para não ferir a susceptibilidade histórica - os Peixotos da Ribeira Quente eram prolíferos e bravos no mar.
As mulheres daquele clã eram uma espécie de mulheres guerreira, por vezes de altura desmarcada. Quer no trabalho doméstico, quer no do campo ou outros, pelo seu poder físico chamavam-nas de bestas de carga!
Fundamentalmente, os Peixotos da Ribeira Quente foram o protótipo perfeito de gente nórdica.
Mas, afinal, quem foram aqueles que formaram a comunidade sedentária deste lugar?
Qualquer tentativa para encontrar esta enigmática origem não pode passar além do campo das suposições, a não ser que, por mero atrevimento ou veleidade, alguém possa tirar algumas ilações daquilo que neste trabalho já foi dito.
O povo desta comunidade, posta de parte a faceta veraneante, surgiu pobre e viveu pobre no percurso da sua história agora largamente contada.
Se entrarmos no campo das suposições, baseando-nos em aparências físico-fisionómicas, podemos dizer que o segundo maior grupo étnico da Ribeira Quente, (os Regos) quer pelo seu moreno escuro, quer pelo seu comportamento e compleição, podiam ter tido algo a ver com os Sousas, Arrudas e Monteiros de Santa Maria; com os Botelhos e Bentos de Vila Franca e Povoação Velha, ou mesmo com os Resendes e Bentos do Faial da Terra.
Mas os PEIXOTOS DA RIBEIRA QUENTE, aquele imenso clã que sempre se identificou com o mar e só com o mar?...
Da compleição física entre o mediano e o alto, de temperamento arrebatado e de abarroada discussão que logo se tornava pacífica, era uma gente muito bonita, tanto homens como mulheres.
Com uma pele sardento-rosa-avermelhada, de olhos de um azul vivo e, muito demarcados de qualquer outro tipo de gente - como aquela que se fixou entre a Relva e a Bretanha, mas que nenhum historiador mencionou ou identificou para não ferir a susceptibilidade histórica - os Peixotos da Ribeira Quente eram prolíferos e bravos no mar.
As mulheres daquele clã eram uma espécie de mulheres guerreira, por vezes de altura desmarcada. Quer no trabalho doméstico, quer no do campo ou outros, pelo seu poder físico chamavam-nas de bestas de carga!
Fundamentalmente, os Peixotos da Ribeira Quente foram o protótipo perfeito de gente nórdica.
EMIGRANTES DA RIBEIRA QUENTE NO HAWAII / 1879 - 1883

Passport Records Index
Immigrants from Ribeira Quente to Hawaii, 1879-1883
Joaquim d'Arruda e sua esposa Maria de Jesus
João de Melo Barbosa
João Cabral e sua esposa Maria Josefa
Francisco Cardoso e sua esposa Ana Joana
Joaquim da Costa
António Jacinto
Manoel Leite e sua esposa Maria José
João Vieira Linhaus e sua esposa Maria Rosa
Manuel Linhares
Maria da Conceição Bonito
Manoel de Medeiros e sua esposa Maria Julia
Francisco de Melo e sua esposa Jacinta de Jesus
Manuel Moniz e Antonia Jacinta
Manuel do Rego e sua esposa Ana Emilia
José de Melo Seradio e sua esposa Rosa Emilia Carlota
João da Silva e Mariana de Jesus, Francisca de Jesus e Maria Rosa
Compiled by Melody Lassalle from the book,"Portuguese Immigrants from Azores to Sandwich Isles, 1879-1883: Passport Index", by Robert DeMello. Honolulu : De Mello Publishing Co.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
TRAGÉDIA DE 31 DE OUTUBRO DE 1997

Neste ano de muitas calamidades públicas por todos o Mundo, devido a acções provocadas pela Natureza, esta Ilha de São Miguel sofreu um dos mais longos períodos de chuvas de sempre.
Os solos encharcados foram cuspindo terras que se soltavam, daí os muitos descorrimentos que se deram, alguns de muita gravidade.
Também na Ribeira Quente, na noite de 31 de Outubro de 1997, entre as 3 e as 3 horas e 30 minutos, desprenderam-se das rochas altas volumosos bocados de terras encharcadas que, deslisando vertiginosamente encosta abaixo, vieram arrasar zonas da parte antiga desta localidade, soterrando sob as mesmas, 29 pessoas que dormiam nos seus lares.
Quer pela grandeza das matérias descidas, quer pelas mortes e prejuízos causados, depois do ano de 1630 este foi o mais trágico acontecimento histórico ocorrido na Ribeira Quente.
Os órgãos de informação moderna, como a televisão, deram-lhe a dimensão necessária e muita mais, por isso se criou um imenso movimento de solidariedade humana jamais igualado nos Açores e, por via disso, foram nascendo outros actos de solidariedade humana até mesmo fora dos Açores e país.
Do outro lado do Atlântico, como não podia deixar de ser, os açorianos criaram outros movimentos de angariação de auxílios porque, na realidade, o nível de vida por lá (América e Canadá) era de poder equilibrado, os auxílios foram crescendo de uma forma relativa e muita válida.
Vinte e nove mortes num pequeno aglomerado como a Ribeira Quente, foi algo de muito dramático e chocante.
Entre os vinte e nove mortos, contaram-se:
César Furtado Carvalho, de 76 anos e sua esposa Maria da Glória Pimentel Rego, de 71 anos;
João Vieira de Melo Peixoto, de 67 anos, sua esposa Idalina Cardoso de Melo, de 63 e o filho Helder de 22 anos;
Maria Elvira Correia Pimentel Pacheco, de 36 anos, e seus filhos Magno Filipa, de 16, Carla Patrícia de 18, Leandra Sofia de 7, e Hugo André de 10 anos;
Maria Helena de Melo Peixoto, viúva de 39 anos, morreu juntamente com seus filhos Pedro Miguel de 13, Milton César de 14 e Diogo Alexandre de 8, e ainda um sobrinho desta viúva, que residia em sua companhia, de nome Paulo José da Silva Costa, de 33 anos de idade;
Maria Gilda Costa Vieira, de 62 anos, seu marido José Tavares Ferramenta, de 64 e seu filho Fernando Luís Costa Tavares, de 24, estes últimos, ambos coveiros da freguesia da Ribeira Quente;
Ângelo Couto Linhares, de 64 anos;
António Leite Medeiros, de 50 anos;
Maria de Jesus Linhares Cardoso, de 31 anos e suas filhas Sofia Linhares Cardoso, de 6 anos e Alexandra de apenas 3 semanas;
Aida Maria Amaral Xavier Rosonina, de 26 anos e sua filha Simone Xavier Rosonina, de 2 anos;
Manuel Rosonina e sua esposa Zulmira Oliveira Silva, ambos de 59 anos de idade;
Ilda de Jesus Gonçalo, de 75 anos e sua neta Tatiana Barbosa Vieira.
Porque era noite fechada e tudo se havia consumado em fracções de minutos e nada indicava estar iminente qualquer acontecimento de tamanha natureza, visto que a zona dos corrimentos, no percurso de 367 anos históricos, nunca tinha sido considerada zona de perigo - embora o perigo e os riscos estejam em toda a parte - quaiquer socorros prestados não podiam ser imediatos nem obstariam a que fosse consumada tamanha desgraça.
Completamente isolado, o povoado da Ribeira Quente por efeitos da tempestade, quer por terra quer por mar - visto que os taludes que suportam a modesta estrada (única) de acesso assentam parcialmente sobre o leito da ribeira - tanto os corrimentos de barreiras descidos sobre esta, como os cortes feitos pela mesma devido à força do caudal, contribuiram para que parte destes socorros fossem insuficientes e demorados.
O paredão feito no porto de pescas da Ribeira Quente devido a pressões e aproveitamentos já mencionados, embora fosse insuficiente para quaisquer auxílios vindos do mar, havia cedido a uma tempestade ocorrida a 25 de Dezembro de 1996.
Sem estrada, sem porto de mar, sem telefones nem luz, numa altura tão alucinante, ficou o povo desta localidade em muito mais abandono do que aquele que sofria antes de 1940.
RIBEIRA QUENTE E AS CHEIAS
Dentro do contexto do passado histórico, embora a ribeira da Ribeira Quente seja a única boca de saída de todas as águas pluviais ou de absorção que descem do Vale das Furnas, nas quais se incluem as de escoamento da sua lagoa, em matéria de cheias, estas nunca foram trágicas.
De um modo geral, se se excluir a Freguesia de Água Retorta, toda a área do concelho de Povoação é, de certo modo, uma zona da ilha de São Miguel considerada de risco espectante, mais propriamente dito em alturas sazonais, Outono, Inverno e parte da Primavera, devido a cheias desmesuradas.
Historicamente, a freguesia do Faial da Terra tem sido companheira da sede do seu concelho nos momentos de desgraça, quanto a cheias. Apenas quase só divididas pela cumieira que parte do Pico da Caldeira e se estende até ao Pico Longo, no decorrer dos séculos tanto a hoje a Vila da Povoação como o apertado povoado do Faisl da Terra têm sido lugares de muitas catástrofes hidrográficas.
A bacia da Povoação, quer pela sua dimensão, (3.350 hectares), quer pelos inúmeros sulcos cavados pelas águas nas encostas das suas montanhas, tornados depois regatos e ribeiras, sempre foi uma área geográfica hídrica de alto risco e quase perigo permanente. Hoje está muitíssimo agravado este alto risco porque toda ela, bacia, é uma pastagem de terras que não absorvem as águas pluviais e que, quando absorvem, logo se encharcam e cospem as águas que vão vertiginosamente formar caudal.
Por isso a Povoação é terra de cheias.
Dentro do nosso período histórico ou período em que se fez história, a cheia do ano de 1744 foi a mais trágica, visto que não só varreu muitas casas da ainda então Povoação Velha, como matou 61 pessoas que foram arrastadas para o mar. Depois, sendo já Vila, a cheia do ano de 1896 foi a que mais marcada ficou na sua verdadeira história porque, esta Grande Cheia, assim chamada, levou algumas casas e matou 12 pessoas, cujos nomes estão registados em documentação camarária.
Falando novamente da Ribeira Quente, todas as históricas chaias da sua ribeira nunca causaram mais do que maiores ou menores prejuízos materiais, porque o seu curso de águas passa ao lado.
Como já foi mais de uma vez referido, o lugar da Ribeira Quente tem uma história parcialmente encoberta, além desta agora contada.
Baseando-nos nos escritos de Fructuoso e aceitando condicionalmente algumas das suas afirmações escritas, podemos verificar que, na realidade há pedaços dos seus escritos que nos empurram par o campo das suposições, que bem podem ser verdades.
Repetindo, agora, no seu todo, o último parágrafo da página 140 do volume II do seu livro Quarto, podemos encontrar certezas e incertezas que podem ser sequências dessa enconberta história:
"A noite que amanheceu a sete de Outubro de mil e quinhentos e oitenta e oito, choveu por aquelas partes (do hoje Concelho da Povoação) tanta água, que atupiu muitas destas furnas (caldeiras) com suas enchentes e levou algumas casas com seus moradores ao mar, de que tomou bom espaço posse um pedaço de terra que quebrou do pico da Vara, mudando a Ribeira Quente de sua primeira madre, e em diversos lugares e partes desta ilha, fazendo muitas mudanças e espantosas novidades". (O entre parêntesis é do autor deste trabalho)
Notoriamente, mais apanhados da informação do que da observação, nem por isso alguns dos dados desta notícia do Dr. Fructuoso perdem mérito histórico, visto que dos mesmos constam nomes e referências indesmentíveis porque foram verdades.
ATUPIU (entupiu) era usual como era vulgar a FURNA e não caldeira. Porque ele, Fructuoso, se refere, na realidade, às Furnas e as àguas das Furnas só têm saída para o mar através da apertada garganta que se começa a formar na "Ribeira dos Tambores" e vai, mais abaixo, chamar-se ribeira da Ribeira Quente, pois nunca houve outra com esta designação nem saída. A afirmação: "mudando a Ribeira Quente (curso de água) de sua primeira madre", é sinónimo de que, antes deste acontecimento ocorrido naquele ano de 1588, a foz da ribeira da Ribeira Quente era diferente.
"e levou algumas casas com seus moradores ao mar". De certeza que não eram casas do lugar das Furnas que ainda não era povoado; por isso se pode admitir que já houvessem algumas casas de veraneantes nas margens desta ribeira.
Há muita contradição nesta informação de Fructuoso, mas o acontecimento foi um facto histórico que veio a ser reproduzido, mais tarde, em outras narrativas.
O corrimento de parte da falda sul do Pico da Vara foi, realmente, algo de vulto, visto que ainda no presente aquela perigosa falésia se encontra sem vegetação ou desguarnecida.
Quando o Dr. Fructuoso menciona no seu livro que neste lugar também veraneavam religiosos, não designa sexos, mas a toponímia vem-nos mostrar que houveram outras ocorrências históricas dentro do espaço físico da Ribeira Quente.
O "Outeiro da Freira", que geograficamente se chama "Outeiro das Freiras", foi, sem dúvida, ou propriedade de qualquer congregação religiosa, ou refúgio de freiras nos tempos corsários (mais provavelmente a primeira versão). Esta zona alta da Ribeira Quente foi, como tudo indica, a área das melhores fajãs desta localidade, antes da erupção vulcânica de 1630.
A "Eira das Freiras", conforme o mapa, é toda a zona nascente da margem da ribeira desde o litoral à primeira curvatura desse curso hídrico. Sem ser solo de formação, a sua parte plana e já no plano inclinado, foram os melhores quintais da localidade da Ribeira antes deste se terem tornado zona residencial.
Só o moinho que ali existiu (existem ruínas) se relaciona com o passado.
A zona alta continua era propriedade da familia Saraiva - que era um carpinteiro natural das Furnas que veio a casar na Ribeira Quente com uma jovem que havia sido criada pelo Padre Ângelo, já mencionado - o qual se tornou seu proprietário depois de regressar da América do Norte, por ter sido ali imigrante.
De um modo geral, se se excluir a Freguesia de Água Retorta, toda a área do concelho de Povoação é, de certo modo, uma zona da ilha de São Miguel considerada de risco espectante, mais propriamente dito em alturas sazonais, Outono, Inverno e parte da Primavera, devido a cheias desmesuradas.
Historicamente, a freguesia do Faial da Terra tem sido companheira da sede do seu concelho nos momentos de desgraça, quanto a cheias. Apenas quase só divididas pela cumieira que parte do Pico da Caldeira e se estende até ao Pico Longo, no decorrer dos séculos tanto a hoje a Vila da Povoação como o apertado povoado do Faisl da Terra têm sido lugares de muitas catástrofes hidrográficas.
A bacia da Povoação, quer pela sua dimensão, (3.350 hectares), quer pelos inúmeros sulcos cavados pelas águas nas encostas das suas montanhas, tornados depois regatos e ribeiras, sempre foi uma área geográfica hídrica de alto risco e quase perigo permanente. Hoje está muitíssimo agravado este alto risco porque toda ela, bacia, é uma pastagem de terras que não absorvem as águas pluviais e que, quando absorvem, logo se encharcam e cospem as águas que vão vertiginosamente formar caudal.
Por isso a Povoação é terra de cheias.
Dentro do nosso período histórico ou período em que se fez história, a cheia do ano de 1744 foi a mais trágica, visto que não só varreu muitas casas da ainda então Povoação Velha, como matou 61 pessoas que foram arrastadas para o mar. Depois, sendo já Vila, a cheia do ano de 1896 foi a que mais marcada ficou na sua verdadeira história porque, esta Grande Cheia, assim chamada, levou algumas casas e matou 12 pessoas, cujos nomes estão registados em documentação camarária.
Falando novamente da Ribeira Quente, todas as históricas chaias da sua ribeira nunca causaram mais do que maiores ou menores prejuízos materiais, porque o seu curso de águas passa ao lado.
Como já foi mais de uma vez referido, o lugar da Ribeira Quente tem uma história parcialmente encoberta, além desta agora contada.
Baseando-nos nos escritos de Fructuoso e aceitando condicionalmente algumas das suas afirmações escritas, podemos verificar que, na realidade há pedaços dos seus escritos que nos empurram par o campo das suposições, que bem podem ser verdades.
Repetindo, agora, no seu todo, o último parágrafo da página 140 do volume II do seu livro Quarto, podemos encontrar certezas e incertezas que podem ser sequências dessa enconberta história:
"A noite que amanheceu a sete de Outubro de mil e quinhentos e oitenta e oito, choveu por aquelas partes (do hoje Concelho da Povoação) tanta água, que atupiu muitas destas furnas (caldeiras) com suas enchentes e levou algumas casas com seus moradores ao mar, de que tomou bom espaço posse um pedaço de terra que quebrou do pico da Vara, mudando a Ribeira Quente de sua primeira madre, e em diversos lugares e partes desta ilha, fazendo muitas mudanças e espantosas novidades". (O entre parêntesis é do autor deste trabalho)
Notoriamente, mais apanhados da informação do que da observação, nem por isso alguns dos dados desta notícia do Dr. Fructuoso perdem mérito histórico, visto que dos mesmos constam nomes e referências indesmentíveis porque foram verdades.
ATUPIU (entupiu) era usual como era vulgar a FURNA e não caldeira. Porque ele, Fructuoso, se refere, na realidade, às Furnas e as àguas das Furnas só têm saída para o mar através da apertada garganta que se começa a formar na "Ribeira dos Tambores" e vai, mais abaixo, chamar-se ribeira da Ribeira Quente, pois nunca houve outra com esta designação nem saída. A afirmação: "mudando a Ribeira Quente (curso de água) de sua primeira madre", é sinónimo de que, antes deste acontecimento ocorrido naquele ano de 1588, a foz da ribeira da Ribeira Quente era diferente.
"e levou algumas casas com seus moradores ao mar". De certeza que não eram casas do lugar das Furnas que ainda não era povoado; por isso se pode admitir que já houvessem algumas casas de veraneantes nas margens desta ribeira.
Há muita contradição nesta informação de Fructuoso, mas o acontecimento foi um facto histórico que veio a ser reproduzido, mais tarde, em outras narrativas.
O corrimento de parte da falda sul do Pico da Vara foi, realmente, algo de vulto, visto que ainda no presente aquela perigosa falésia se encontra sem vegetação ou desguarnecida.
Quando o Dr. Fructuoso menciona no seu livro que neste lugar também veraneavam religiosos, não designa sexos, mas a toponímia vem-nos mostrar que houveram outras ocorrências históricas dentro do espaço físico da Ribeira Quente.
O "Outeiro da Freira", que geograficamente se chama "Outeiro das Freiras", foi, sem dúvida, ou propriedade de qualquer congregação religiosa, ou refúgio de freiras nos tempos corsários (mais provavelmente a primeira versão). Esta zona alta da Ribeira Quente foi, como tudo indica, a área das melhores fajãs desta localidade, antes da erupção vulcânica de 1630.
A "Eira das Freiras", conforme o mapa, é toda a zona nascente da margem da ribeira desde o litoral à primeira curvatura desse curso hídrico. Sem ser solo de formação, a sua parte plana e já no plano inclinado, foram os melhores quintais da localidade da Ribeira antes deste se terem tornado zona residencial.
Só o moinho que ali existiu (existem ruínas) se relaciona com o passado.
A zona alta continua era propriedade da familia Saraiva - que era um carpinteiro natural das Furnas que veio a casar na Ribeira Quente com uma jovem que havia sido criada pelo Padre Ângelo, já mencionado - o qual se tornou seu proprietário depois de regressar da América do Norte, por ter sido ali imigrante.
RIBEIRA QUENTE - ASPECTO CULTURAL 2

Mas porque haviam muitas mais metas a atingir, muitas vertentes para subir e descer, veio a nascer um centro social na Ribeira Quente que foi a pedra fundamental para a grande transformação social que se veio a verificar nesta localidade.
Embora inicialmente improvisado, o hoje verdadeiro Centro Social foi feito no ano de 1996 com auxílios da Câmara Municipal da Povoação, Instituto de Acção Social e Santa Casa da Misericórdia da Povoação.
Este Centro Social - que é a maior obra de vulto depois da Igreja Paroquial - é, na realidade, um valioso marco histórico onde assenta uma sã vida social e cultural abrangente.
A Revolução de Abril não foi o mote visto que já antes havia trabalho feito, mas foi mais uma pedra que veio alicerçar algo que depois foi feito e tornado realidade condicionada: o Porto de mar desta terra esquecida.
Novamente recuando no tempo, vamos verificar que a criação na Vila da Povoação, da "Escola Preparatória Maria Isabel do Carmo Medeiros", instituida, como já foi dito, devido à imensa benemerência de um sacerdote filho desta Vila, e à incansável força de vontade de um outro sacerdote também filho da mesma, que havia sonhado um dia poder ver na sua Vila algo mais do que escolas primárias, foi e é a mais relevante estrutura de sempre que contribuíu para a formação dos jovens do concelho, incluso os da Ribeira Quente.
Como sempre, oportuno e incansável, o Padre Silvino veio a tirar também desta escola, valores que lhe foram incomensuráveis: os das promoções da mocidade ao seu cuidado.
(O Serviço Regional de Estatística do ano de 1991, diz que, naquele ano, a população da Ribeira Quente, que era de 998 habitantes, tinha 496 com a instrução primária, 190 com o Ensino Preparatório, 53 com o Ensino Secundário e dois com outros graus de ensino, que denota um elevado grau de aproveitamento).
O Padre Silvino pertenceu a uma equipa sacerdotal, G.R.P. (Grupo de Reflexão e Acção Pastoral) desde a sua fundação. Serviu-se deste Grupo para reciclar e manter sempre actual a informação sobre problemas de Pastoral.
As múltiplas actividades de ordem pastoral, através de vários movimentos de apostolado existentes na paróquia, fizeram do pároco uma pessoa bastante ocupada.
Em 1994 foi nomeado Ouvidor Eclesiástico da Ouvidoria de Povoação.
Na qualidade de pároco está-lhe inerente a Presidência do Centro Social Paroquial da Ribeira Quente, que ele próprio constituíu como resposta aos múltiplos problemas sociais, bem manifestos na comunidade que oferecia uma imagem de abandono.
Este Centro, em 1986 e 1987, candidatou-se a dois projectos do Fundo Comunitário Europeu (F.S.E.) para Agentes de Desenvolvimento e Animadores Sócio-Culturais, atingindo formandos de todo o concelho.
Em 1995 é Promotor da Iniciativa NOW I e de 1996 a 1999 tem a NOW II de nome PRATIKAS, atingindo vários concelhos da Ilha.
Ainda neste Centro nasce a TERRA-MAR, Associação Para o Desenvolvimento Local.
Em Setembro de 1997 o Centro foi promotor de um Projecto de Luta Contra a Pobreza, para todo o Concelho de Povoação, o qual tomou o nome de VALORIZAR e que se estenderá até ao fim de 1999.
Como consequência de toda esta dinâmica, os Agentes de Desenvolvimento e Animadores Sócio-Culturais, depois de se dirigirem à Câmara Municipal, arrancavam com as Festas Culturais do Concelho, realçando-se na Ribeira Quente as "Festas do Chicharro"; a NOW I implantou no mesmo o "Grupo Folclórico de São Paulo" que hoje tem a sua autonomia bem vinculada; a TERRA-MAR faz um grande festival para o Desenvolvimento Local no Concelho de Povoação, concentrando na Vila a maior parte das forças de expressão económica e cultural, envolvendo todas as freguesias do concelho; cria um balcão de artesanato no Sol-Mar em Ponta Delgada, e candidata-se ao LEADER II com um projecto de nome MADRE, que foi aprovado para atingir a Ribeira Quente na dinâmica de Desenvolvimento Integrado; os Escuteiros que animavam o desporto, permitiram fundar-se a Associação Cultural Desportiva de nome MARÉ - VIVA, que liderou muitos anos as "Festas do Chicharro" e torneios de desporto que movimentaram e ainda hoje movimentam centenas de jovens.
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