quinta-feira, 28 de agosto de 2008

PADRE JOSÉ JACINTO DA COSTA

No ano de 1940 deu entrada na Paróquia de São Paulo desta localidade o mais eficiente pároco até então ali entrado em matéria de auxílio social-burocrático, isto a 1 de Dezembro. O Rev. Padre José Jacinto da Costa, tinha sido nos últimos três anos Vigário Cooperador do Padre Ernesto Jacinto Raposo, pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe de Deus da Vila da Povoação e Ouvidor Eclesiástico do Concelho.

Como tem sido dito ao longo deste trabalho histórico, o povo da Ribeira Quente sempre esteve sociologicamente dependente dos seus párocos a fim de resolver certas situações burocráticas, não só pela razão do seu isolamento mas também. por outras razões óbvias. Por essa razão, os padres nomeados para esta paróquia, autónoma ou não, geralmente vinham da Povoação.

Metódico e grande observador, este sacerdote não só se dedicou aos trabalhos das suas obrigações espirituais, mas sim, também e, de uma maneira muito acentuada, à imperiosa missão de ajudar o povo da Ribeira Quente a safar-se da sua maneira de ser profundamente subserviente e conformado.

Pelo modo do seu comportamento, pela maneira como o povo aceitava a sua acção de solidariedade, este sacerdote logo passou a ser estimado pelo povo.

Embora não há muito colocado nesta localidade, o Padre José Jacinto da Costa que o povo da mesma chamava de O SENHOR PADRE "MINSINHO" (Mansinho dos Mansinhos de Vila Franca), logo reparou que estava perante um povo pobre, modesto, mas de forte sentimento religioso-humano que necessitava ser esclarecido acerca não só das suas obrigações sociais mas também dos seus direitos sociais-humanos. Por essa razão, ao tomar conhecimento de uma arbitrariedade imposta pelo município da Povoação, o de pagar 7% sobre todo o peixe apanhado, com a taxa de ocupação do barracão da discórdia, já antes mencionado, mas que nunca havia sido usado pelos pescadores desde o ano de 1936 porque o seu sistema tradicional de venda continuava a ser, como sempre o foi historicamente, feito à beira dos barcos, o Padre Mansinho deslocou-se propositadamente a Ponta Delgada, onde contactou no Governo Civil o seu então Secretário, Dr. José Bruno Carreiro, o qual pôs a par de férulo imposto que desde a data atrás mencionada agravava muito substancialmente a vida dos pescadores, que já arcavam com o tradicional dizimo estatal de 10%.

Posto pelo Dr. Bruno o assunto ao então Governador Civil do Distrito, o Capitão Rafael Sérgio Vieira, este achou que o mesmo assunto devia ser oficialmente feito pelos pescadores ao Ministério da Administração Interna.

Em nome dos lesados, foi o Padre Mansinho quem fez a exposição que seguiu para Lisboa, a qual era encabeçada com a assinatura de António Inácio Flor de Lima, um dos homens conceituados da Ribeira Quente.

Depois do andamento do processo o Dr. Bruno para confirmar a recepção, escreve:

"Janeiro de 1941. - Exm.º Snr. Acusando a recepção da carta de V. Ex.ª de 24 do corrente, venho comunicar-lhe o caso da exigência de taxa aos pescadores pelas áreas ocupadas pelo peixe que são obrigados a levar aos Mercados Municipais foi submetida à apreciação do Ministro do Interior. Logo que seja recebida informação, comunicá-la-ei ao senhor Padre José da Costa, que veio a este Governo Civil tratar este assunto. Julgo por isso desnecessário apresentar neste momento reclamações às Câmaras".

Visto tratar-se de um rendimento que os municípios bem necessitavam, fossem estes de carácter férulo ou não, o município ressentiu-se, mas os pescadores deixaram de pagar o imposto, não só porque não necessitavam do referido barracão, mas porque, por ironia, desde há muito este estava a servir de caserna aos militares ali aquartelados (estávamos no período da II Guerra Mundial).

Nesse mesmo ano de 1941, porque o povo da Ribeira Quente continuava a fazer parte da Freguesia de Nossa Senhora Mãe de Deus da Vila da Povoação, os eleitores deste povoado tiveram de ir cumprir a sua obrigação de votantes políticos àquela sede de concelho. Porque não haviam transportes nem públicos nem particulares na localidade e o mar não estava de feição, foi o Padre Mansinho quem resolveu a situação recorrendo ao já citado Governador Civil, o Capitão Sérgio Vieira, o qual conseguiu que uma camioneta militar ali fosse buscar, em desdobramento, os 250 eleitores da Ribeira Quente e, de volta trazê-los, depois de cumprido o dever de votantes.

Por sua vez, como sempre, a mulher da mala do correio, a já cansada Maria Arraia do "Caminho do Redondo" e, depois de entregue o saco da correspondência na camioneta dos transportes públicos que passava lá na apertada curva, descia o mesmo caminho, sempre de pé nu.

Inconformado com esta e outras situações, o metódico e activo Padre Mansinho pensou em dar uma volta a toda esta inaceitável situação de falta de humanismo e civismo como era tratado o povo da Ribeira Quente, não só pelos governantes da nação como pelos governantes de ilha e do seu próprio concelho.

Pondo-se em contacto com o Rverendo Dr. Caetano José Travassos de Lima, que então era o Conservador da Conservatória do Registo Predial da Povoação - o qual tinha muita simpatia pelo povo da Ribeira Quente devido à sua religiosidade e simplicidade - estes dois sacerdotes deram essa grande volta na mediocridade governativa.

Como homem das leis, o Padre Dr. Travassos, depois de adquiridos todos os dados indispensáveis, redigiu o requerimento necessário para ser enviado ao Ministério do Interior feito em nome do povo da Ribeira Quente, o qual pedia que este povoado já com 396 fogos e uma população de cerca de 1800 habitantes, fosse feito ferguesia por justa posição e rendimento.

O Padre Mansinho encarregou-se das necessárias assinaturas e da concordância da Junta Geral do Distrito que achou justo o requerimento, o qual foi enviado ao já referido ministério a 18 de Junho desse ano de transformações, 1941.


Anos 60 - Na foto o Padre José Jacinto da Costa (Padre José Mansinho) encontra-se a segurar o Báculo (bordão de pastor) do Bispo D. Manuel.

INAUGURAÇÃO DOS TÚNEIS - 1940




Embora já a 22 de Junho de 1939 se tivesse inaugurado com pompa e circunstância a galeria de avanço do segundo túnel de acesso à Ribeira Quente, onde não faltou o BEM VINDO para os que desciam do lado norte e o VIVA SALAZAR, do lado oposto onde estava concentrada uma massa humana do povo desta localidade que, na realidade, era quem sentia a verdadeira alegria de ver serem demolidos os últimos centmetros de terras verticais que a separava do livre acesso à mesma galeria, a verdadeira inauguração de todo o ramal, que partia da bifurcação formada por este mesmo e a estrada Furnas-Povoação, só foi feita dez meses depois, a 11 de Agosto de 1940.


E assim se pôs termo a um doloroso isolamento a que o povo da localidade da Ribeira Quente estava sujeito há cerca de 260 anos!


AS LANCHAS


Tendo adquirido umas pequenas instalações na zona do fim da freguesia de Santa Clara, isto na década de trinta do século passado, o industrial continental Virgílio Lori, depois de as ampliar e modernizar adequadamente, veio dar um grande impulso à vida de muitos pescadores em São Miguel, não só por lhes abrir o caminho para outro tipo de embarcações, como para outro tipo de pesca, a do alto mar.

Criando um tipo de embarcações até então nunca usadas em São Miguel na faina da pesca, barcos motorizados com um raio de acção que permitia a penetração no alto mar - embora ainda bastante aventureira devido à falta de recursos de orientação e comunicação - aos quais o povo se habituou a chamar de LANCHAS. Conseguiu o mesmo não só implementar um novo tipo de pesca como também, pela primeira vez, uma indústria conserveira que usava óleos ou azeites nas suas confecções.

Alguns pescadores da Ribeira Quente foram incluídos nas tripulações dessas embarcações conhecidas por as Lanchas do LORI que pescavam bonito e atum para a "Fabrica do Lori de Santa Clara", que foi muito positiva porque não só proporcionava outras alternativas a pescadores artesanais de tradição, mas também porque mantinha um relativo número de postos de trabalho a domésticas que nunca haviam sido fabris.

Há que notar que embora a Sociedade Corretora já existisse antes do Lori, esta sociedade nascida por força do ananás, ainda não existia como indústria de pesca transformadora, visto que durante os anos de 1940/41, se mantinha a fabricar rodelas de ananás e sumos nas suas instalações da Rua do Conde, em Ponta Delgada e, depois, entre 1942/43, fabricava doce de batata doce para a Cruz Vermelha Internacional, nestas mesmas instalações.

Só no ano de 1944 a Sociedade Corretora adquiriu à Dias & Dias as suas instalações em Vila Franca do Campo, a fim de incrementar a indústria de pesca em maior dimensão, alterando-a e dando-lhe a modernidade que não tinha.

Adquirindo em 1946 a fabriqueta de peixe de sal moura a Laurénio Tavares, da Rua da Vila Nova, com este alvará a Corretora construiu em 1946 a sua melhor unidade industrial de conservas de peixe em Rosto de Cão (São Roque) e, mais tarde, em 1963, adquiriu ao industrial desse ramo, de nome Lopes, a fábrica de conservas da Calheta e a de Santa Maria.

O BARRACÃO E A ELECTRIFICAÇÃO DA IGREJA

No ano de 1936, sem razão aparente que o justificasse, a Câmara Municipal da Povoação mandou construir na zona sul do "Espraiado", quase a tocar no porto natural da Ribeira Quente, um mercado de peixe que ficou conhecido por o BARRACÃO.
O edifício, que embora não fosse uma obra de grande vulto ainda assim se destacava com sobranceria dos casebres dos moradores que lhe ficavam nas redondezas e ao lado - todos de pescadores - foi uma obra realmente desnecessária.
Perfeitamente desnecessária aceitando a lógica de que na Ribeira Quente o peixe era quase um bem comum que todos usufriam, não só os que o apanhavam, como os que, como consumidores e não pescadores, o tinham facilmente à sua volta. Os vendilhões (alguns pescadores), só o adquiriam à beira dos barcos. Por essa razão a construção deste mercado não foi aceite como melhoramento mas como agravamento das dificuldades de sobrevivência desta gente, visto que o município lhes impôs um imposto de 7% sobre o pescado que já sofria do tradicional dízimo (imposto) de 10% que o governo nacional arrecadava de cada barco, através do seu fiscal directo, o histórico guarda fiscal.
Esta situação ficou por algum tempo, até que, por força de uma obrigação de colaboração, um servidor do povo no espiritual e no material, o fez desaparecer.
No ano seguinte a este acontecimento, o então pároco da Igreja de São Paulo, o Padre João de Medeiros a quem o povo chamava de "O PADRE JOÃO COUCÃO", partia em Dezembro desse ano de 1937 para os Estados Unidos.
O Vale da Povoação não só era criador de trabalhadores para exportação, como também de ministros da Igreja.
Para o substituir, veio logo depois, mas já no começo de 1938, o Padre Cristóvão de Melo Garcia, natural da então Vila da Ribeira Grande, que durante os últimos três anos havia sido Vigário Cooperador do Ouvidor Eclesiástico do Concelho, o Padre Ernesto Jacinto Raposo.
É no período de permanência do Padre Cristóvão que a Igreja de São Paulo é electrificada, porque até então, desde a sua erecção, os serviços religiosos nocturnos eram feitos à luz de lanternas a petróleo, que foram depois a acetilene, até àquele trabalho de electrificação. O custo deste empreendimento atingiu o montante de três mil setenta e um escudos e cinquenta centavos. Foi mais um sacrifício imposto ao povo da Ribeira Quente, que o recebeu com gosto, visto que desta forma enriquecia o seu templo.
Continuava a crescer proporcionalmente o número de habitantes neste povoado, por isso também a imperiosa necessidade de serem feitas mais habitações mesmo que fossem rudimentares, para fugir à miscível caldeação e acumulação de mais de um casal a viver no mesmo quarto, situação esta sempre susceptível de acontecer em povoados bastante pobres. Também a necessidade de mais embarcações era premente.
Por ironia, se era o mar que mais facultava os meios de sobrevivência desta população, também era este quem ia aos poucos roubando a terra, o espaço vital para as suas necessidades sociais de expansão!
No ano de 1939, num dia de grande tempestade que fez crescer descomunais vagas, estas vieram atingir as terras que ainda restavam desde o começo da sua absorção pelo mar e, de tal modo que pouco ficaram destas na zona compreendida entre a chamada "Zona das Vieiras" e o começo da Ponta da Albufeira ou Fogo, porque esta parte litoral continuava desportogida e sem qualquer quebra-mar.
Nesta altura, foi a família de João Vieira Jerónimo a mais atingida por ter perdido a quase totalidade do seu terreno, incluindo a sua casa de moradia que serviu parcialmente de igreja provisória cerca de dezasseis anos, após a derrocada do segundo templo de São Paulo no ano de 1900.
Nunca existiu, relativamente aos primitivos tempos da criação de um povoado piscatório na Ribeira Quente, algo que nos elucidasse acerca do tipo de embarcações então usadas. Porém, tudo nos leva a crer que fossem muito rudimentares e ali mesmo improvisadas visto que todo o espaço montanhoso desta localidade sempre foi abundante de vegetação espontânea apropriada para a construção de pequenas embarcações. Ainda na primeira metade do século XX não só a bacia ou vale da Povoação Velha possuia madeiras de cavername, como o cedro do mato, a urze e o sanguinho (planta ramnácea), como também quase toda a área do seu concelho, incluindo a Ribeira Quente. No século XIX estas embarcações eram simples e idênticas a todas as embarcações da costa sul, mas já no começo do século XX as mesmas eram de tamanho superior às embarcações de pesca da Vila da Povoação e Faial da Terra e em maior quantidade.
Foram filhos da Ribeira Quente os primeiros a possuir e a usar redes-de-arrasto para caçar cardumes de sardinha que eram muito abundantes (na altura própria), no espaço de mar entre a Ponta da Lobeira e a da Pedreira do Nordeste, mais propriamente dito no mar da Fajã do Calhau. Por vezes, devido à grande distância entre a Ribeira Quente e esta referida fajã, os pescadores e barcos pernoitavam neste lugar de então praia permanente.
Três dos proprietários deste tipo de redes (foram 5 os proprietários) foram-se fizar, dois na Vila da Povoação, e um no Faial da Terra.
O primeiro, João Peixoto, foi mais tarde fixar-se com sete filhos no lugar do Morro da Vila da Povoação, de onde deu origem a uma familia grande e prolífera que se ramificou não só nesta vila como nas suas Lombas, Faial da Terra e América do Norte.
O segundo, João Inácio, permaneceu no seu povoado de origem, onde singrou relativamente, quer social quer economicamente.
Mas o diversificado tipo de pesca então praticado, mais acentuadamente a pesca do chicharro, sardinha, cavala ou outra, mesmo quando era abundante, não alterava substancialmente o curso de vida das famílias da Ribeira Quente ligadas ao mar, porque o produto do seu trabalho só tinha uma única saída, a do tradicional sistema de venda intermediária aos vendilhões locais ou os de fora que, por sua vez iam vender o peixe fora da localidade.
Este sistema rotineiro era inalterável porque quase não havia pesca industrial. Só em Vila Franca do campo existia uma pequena fábrica conserveira da Sociedade Dias & Dias que pouco pescado absorvia e, quando absorvia, fazia-o a preços por si estipulados.
Na Vila da Povoação existiam duas firmas com tamques de salgação só para recursos de inverno, enquanto em Ponta Delgada, na Rua da Vila Nova, existia uma pequena unidade pertencente à Firma de Laurénio Tavares & Filho que praticava a salgação em salmoura, peixe que depois exportava para o chamado mercado da saudade (América do Norte), em pequenas quantidades.
Na Rua do Calhau havia uma outra pequena fabriqueta que procedia da mesma forma. Por essa razão, e porque Ponta Delgada lhes ficava distante, colocados nesta situação, os bravos homens de mar da Ribeira Quente continuavam a sobreviver com muita dificuldade, como sempre, por não terem outra alternativa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

OS TÚNEIS


O tão almejado acesso ou ramal para o lugar da Ribeira Quente, simbolicamente começado, como já foi dito, aquando da passagem do Rei D. carlos pelo lugar dos Tambores, isto em 1901, só veio a ser aprovado a 23 de Maio de 1902 e começado em Novembro de 1903, porque, ironicamente, só começou a ser notado 34 anos depois, quando em fins do mês de Outubro de 1935 foi dado início à perfuração da primeira barreira sob a qual foi plantado o primeiro troço do túnel fraccionado que ligou o velho povoado ao resto do mundo que lhe era desconhecido, devido à falta de humanismo por parte de quem não sentia que ali havia um povo. Esta primeira fracção do túnel quando completa, ficou ao atingir a ponte de ligação sobre a "Grota Suja", com o comprimento de 84 metros.

Obra então empolgante para seu tempo - hoje bastante desnecessária porque a perfuração foi feita em duas barreiras já quase no fim do seu percurso descendente nas proximidades da ribeira - começou numa altura em que o meio rural do Concelho da Povoação atravessava uma das maiores crises de falta de trabalho de sempre, porque os seus artífices e auxiliares sempre estiveram parcialmente dependentes das economias que os nossos emigrantes iam amealhar fora da ilha. Por essa razão, estando a América do Norte ainda sob os efeitos da sua maior depressão histórica, a de 1929, os seus reflexos colidiram com uma já grave situação que mais a agravou. Por isso, é lógico que se diga que a abertura dos túneis da estrada de acesso ao povoado da Ribeira Quente, veio propositadamente numa altura oportuna, mas não deixou de ser uma obra de exploração humana.

Continuando a sua faina no mar, sempre que este lhes permitia, os pescadores viam na abertura do t'unel o sonho que os seus antepassados sempre acalentaram, o de usufruir uma mais valia par o fruto do seu trabalho sempre condicionado à velha tradição do vendilhão de cestos e palanca, o qual, por não ter caminhos de saída, só lhe era permitido usar o velho caminho de acesso ao "Redondo", de onde derivava para o vale da Povoação.

Poucos filhos de pescadores iam à escola improvisada na propriedade do Saraiva, porque as necessidades dos meios de sobrevivência estavam acima das de uma educação fechada e limitada. Por essa razão o túnel foi a escola das infelizes crianças que ali sol-a-sol, iam acarretando, em cestos de dois alqueires, as terras que lhes iam pondo no dorso, as quais, durante a perfuração do primeiro túnel, iam descarregar nas margens da ribeira, e depois, as trazidas do segundo túnel, depositavam-nas por cima do parapeito da ponte de ligação dos mesmos para o fundo da "Grota Suja".

Mas a missão das crianças não se circunscrevia apenas à obrigação de acarretar em cestos ou simples carriolas, inventadas pelas mesmas para aliviar o dorso já cansado, as terras que iam sendo removidas do furo e do alargamento a abobadar. Também tinham por missão serem serventes de argamassas, de irem buscar às grotas água potável para dar de beber a todo o pessoal, da recolha das ferramentas usadas pelos pedreiros, isto muitas vezes feito sob a ameaça de um improvisado chicote!

Ainda hoje existem, tanto na Ribeira como no Fogo, na mente de velhos cansados, reminiscências desse desumano passado de abiofilia.

Não só as crianças mas sim todos os trabalhadores não contratados (a esmagadora maioria), não usufruiam de quaisquer direitos de seguro das suas vidas.

Foi sob a orientação de um pedreiro das Furnas que a pedra lavrada pelos canteiros ia sendo assenta sobre os cimbres de madeira para fechamento da abóbada dos túneis, feitos pelo valioso carpinteiro também das Furnas, o Mestre Manuel Vieira Galante - depois da perfuração este trabalho de carpintaria era o mais importante.

O livro "TÚNEIS DA LIBERDADE", da autoria de Maria de Deus Raposo Medeiros Costa, publicado em 1996, baseado em imformações colhidas de alguns idosos que nesta obra trabalharam quando crianças, retrata substancialmente alguns factos verdadeiros.

É deste livro esta elucidante passagem:

"Toda esta perseverança dos homens e da ajuda prestimosa das crianças na obra, revelam uma necessidade desmedida de trabalhar para o sustento da casa".

E depois:

"Um dos apontadores da obra dos t'uneis foi..., caracterizado como sendo um empregado zeloso, activo e competente, que cumpria as ordens recebidas e as fazia cumprir rigorosamente".

Isto, segundo o critério de uma notícia veiculada por um jornal de Ponta Delgada de 19 de Agosto de 1940, só manifestava o retumbante trabalho de quem pouco trabalhava, porque só mandava quem trabalhava!

O rigorosomente expresso caracteriza perfeitamente a acção e personaliade de quem, talvez assente numa possível confortável cadeira, mandava escravizar crianças!

Como espelho desse relevante trabalho, ainda se lê nesse livro:

"Do relato dos trabalhadores, bastantes vezes as crianças foram mandadas trabalhar ao ritmo do 'vime' para apressar o serviço. Unânime é também a opinião de que este trabalho fora um trabalho de escravidão".

esta radiografia superficial de uma obra que teve raízes no ano de 1901, como já foi dito, no longo percurso de 34 anos não só causou ansiedade a quem sofria e se queria libertar, como depois de feita, se tornou pobre e insuficiente porque, se os túneis ficaram como algo de positivo, todo o traçado fora destes nunca passou de um ziguezagueante atalho por vezes colocado sob perigosas barreiras que deram forma ao curso da ribeira que por si alinhou a estrada!

Desde sempre insuficiente e incapaz, por isso desde há muito a necessitar de correcções, só no começo da década de setenta, a Junta Geral adjudicou uma empreitada de correcção desse ramal a uma firma que não correspondeu ao determinado porque faliu. Por isso, foi esta Junta que, em molde de trabalho apressado, o completou e continuou a chamar-lhe de Ramal da Estrada Nacional N.º 11 que, depois de regionalizado, se chama de Estrada Regional 2-2.

No extenso período de governação do primeiro Governo Regional dos Açores, embora o trânsito para a Praia do Fogo da Ribeira Quente aumentasse visivelmente, nada de substancial foi feito para o facilitar nem diminuir o perigo que esta estrada sempre representou.

Retomando o curso cronológico da história como vinha sendo feita, pouco se alterou no comportamento do povo da Ribeira Quente ao saber do começo da abertura do primeiro túnel, mais acima do povoado, a não ser a sensação de que havia uma obra em curso para a abertura dos túneis de acesso a este, e que gente sua estava a trabalhar na mesma. Mas é lógico que a expectativa era permanente, visto que se tratava de um empreendimento desde há muito desejado porque ia, quando concluído, por fim a um martírio secular.

No entanto, como sempre, o mar ia comendo a terra em dias de vendaval, solo postiço que a Mãe Natureza havia colocado sobre os fundos que lhe pertenciam. Por isso a orla marítima, entre a Ribeira e a Ponta da Golfeira ia aumentando ano a ano, dando lugar a uma pequena baía que se ia criando à custa do desaparecimento daquilo que ainda restava do primitivo povoadao ou lugar de veraneio.

A "Escola do Saraiva", assim denominada porque era uma escola improvisada numa casa de um natural local, estava situada no extremo da sua propriedade junto à praia da foz da ribeira, onde se esperava que o mar um dia chegasse, por isso houve que alertar o município da Povoação para esta realidade.

Presidindo, ao tempo, aos destinos daquele município o Dr. António do Espírito Santo Lopes - que foi um dos presidentes com mais iniciativa que este conheceu no tempo em que o mesmo vivia em permanente penúria - para protecção da escola e caminho de acesso, foi feito um paredão no lado nascente da boca da ribeira, que partia da velha ponte de madeira até ao começo do atalho para a banda da "Ponta do Garajau".

Porque se tratou de uma obra relativamente modesta, embora bem feita mas não muito consistente porque os materiais usados foram os tradicionais barro, cal e água, logicamente, um dia viria a desaparecer, mas ficou a contar para a história da Ribeira Quente.

Foi mais uma obra em que esteve em evidência a necessidade humana, desta vez do sexo oposto, gente desta localidade e extremamente necessitada de meios de subsistência.

A pedra par o paredão foi arrancada de uma pedreira que se situava ao cimo da propriedade do mesmo dono da escola.

Procurando possíveis curvas de nível para suavisar o acesso à pedreira, ainda assim o atalho feito não permitia, devido à sua muita inclinação, que fosse qualquer animal de quatro patas a acarretar as ainda brutas e pessadas pedras de amarração para o estaleiro que ficava situado no lugar do futuro paredão.

Sem alternativa, o mestre da obra veio a saber que determinadas mulheres da hoje "Rua do Padre António", podiam bem resolver esta situação.

Gente de forte compleição, embora faminta, essas mulheres habituadas a serem besta-de-carga, a troco de uma miséria, passaram a subir diariamente, vezes sem conta, o íngreme atalho da pedreira alcandorada no cimo das rochas, de onde traziam sobre o pequeno biscoito-rodilhão posto na cabeça, as citadas pedras que vieram a formar o paredão.

Porque ali perto não havia argila e a que havia só existia na zona do Velho cemitério, alternando de vez em quando o percurso, eram elas, as mulheres, que iam de cesto de dois alqueires à cabeça, buscar o desejado barro para a argamassa, subindo e descendo um caminho tão inclinado como o primeiro, mas já a distância de muitas centenas de metros!

Continuando a ser uma comunidade fechada por princípios de pouca comunicabilidade a que sempre esteve sujeita, e de certo modo muito dependente do seu guia espiritual, quer este fosse de demorada permanência ou não, já iam despontando alguns elementos na sua sociedade, que não sendo nem pescadores por tradição, nem trabalhadores rurais, se tornaram elementos de contacto em momentos de diálogo. Eram o começo de algo que havia de acontecer mais cedo ou mais tarde.

ANO DE 1931

Em Janeiro deste ano de 1931, veio substituir o Padre José Luiz Borges Vieira na paróquia, o Padre João de Medeiros, natural da Vila da Povoação.
Profundamente ciente das necessidades do povo da Ribeira Quente, como os seus antecessores, teve de procurar minimizar o sofrimento desta gente ainda na mesma situação de sempre - o padre era o directo e indirecto interlocutor entre as autoridades governativas e o povo, porque fazia parte das suas obrigações humanas.
No campo espírito-material, é no percurso do seu tempo como pároco, que o templo de São Paulo passa pelas maiores transformações desde a sua bênção e inauguração em 1917.
Foi alargada a sacristia do lado nascente, que era estreita, dando origem à, ainda hoje larga sacristia, seu acesso posterior e cave.
A bancada foi totalmente alargada por toda a nave da igreja, porque antes, além de ser modesta, só cobria parte da mesma.
A Capela-Mór não tinha cadeiral, mas foi feito, como também foi feito um altar do lado epistolar - que só veio a receber a sua primeira imagem no ano de 1949.
Além da escadaria de acesso à sacristia, exteriormente foi feito o revestimento em argamassa de cimento e areia dos dois alçados laterais, porque, até àquela altura, as suas paredes não eram revestidas mas sim, na linguagem do povo, paredes cruas.
Segundo documentação comprovativa, foram os pescadores, desta vez com meio quinhão dos barcos, embora fossem bastante pobres, quem pagou estes empreendimentos, à medida que, por ironia, o povoado ia empobrecendo devido ao crescimento da população e à falta de recursos de subsistência de que o lugar padecia.
Nessa altura a população da Ribeira Quente já era superior à da do Faial da Terra e da de Água Retorta mas ainda não possuía quaisquer caminhos de acesso para fora do povoado, além dos rudimentares já citados; nem água potável nem iluminação pública, embora a central produtora lhe ficasse logo mais acima na "Ribeira dos Tambores"!
Só tinha uma escola primária improvisada numa casa particular do lado nascente da ribeira e, já no começo da falésia da "Ponta do Garajau", um posto de correio também improvisado num pequeno estabelecimento comercial junto do litoral, cujo vencimento do seu proprietário era uma pequena percentagem que lhe era concedida pela venda de selos; mas cabia-lhe também, por imposição, ter de fazer chegar o saco do correio, ou mala do correio, como o povo a chamava, à curva da estrada onde nascia o "Caminho do Redondo", a fim de ali apanhar a carreira regular que por ali passava todas as manhãs, por volta das sete e pouco da manhã.
Esse doloroso trabalho era feito por uma pobre mulher casada, com filhos, a troco de meia dúzia de escudos mensais, visto que seu marido, pescador (António Fanha ou António Povoação), nem sempre tinha sorte no mar.
Foi nesta situação de atrofiamento e miséria que o povo da Ribeira Quente foi atingido por uma das maiores catástrofes sísmicas de sempre.
A 5 do mês de Agosto do ano seguinte, 1932, toda esta ilha de São Miguel foi sacudida, devido a um abalo de origem tectónica - falha Açores-Gilbraltar, hoje muito conhecida pela ciência - de tão forte magnitude, que fez ruir, a partir do estremo de Ponta Garça, todas as casas da Lomba do Cavaleiro, muitas da Lomba do Carro e outras na faixa entre aquela localidade de Ponta Garça e Faial da terra. A Ribeira Quente, embora de permeio, estatisticamente não é mencionadaembora tivesse sido bastante atingida.





1917 A 1928

Embora se não saiba com rigor qual seria o número populacional da Ribeira Quente na altura da bênção e inauguração do seu terceiro templo, podemos aceitar a ideia de que a mesma não seria inferior a mil e setecentas pessoas, visto que, aparecendo pela primeira vez documentalmente uma estatística abrangente que inclui o lugar da Ribeira Quente, a mesma lhe dê nesse ano de 1864 uma população de 1065, para depois, já no ano de 1900 lhe ser dada uma população de 1463 pessoas. Por isso é lógico que dezassete anos depois, no ano da inauguração, no mínimo o número de pessoas acima relativamente mencionadas fosse uma aproximação da verdade.
De 1911 a 1949 não existem números estatísticos que mencionem qualquer censo acerca da Ribeira Quente, visto a população desta localidade estar anexada à da Igreja Matriz da Povoação, por ter passado a ser parte integrante da mesma depois de perder o direito de ser paróquia autónoma. Por isso, estatisticamente falando, só no ano de 1950 aparece oficialmente a Ribeira Quente já feita freguesia e com uma população de 2126 almas.
Fosse como fosse, a igreja então ao tempo inaugurada naquele ano de 1917, foi definitivamente dimensionada para o futuro, visto o lugar da Ribeira Quente por justa posição geográfica, ser um lugar encravado e financeiramente limitado.
No percurso da sua existência até ao presente, este templo de São Paulo jamais foi alterado no seu aspecto de igreja de uma só nave. Só as suas duas sacristias laterais sofreram algumas transformações que vão ser mencionadas.
Com um alçado principal alegre e leve porque a sua cantaria é pobre, no entanto a sua situação sobranceira dá-lhe um aspecto de imponência.
A sua torre sineira antes era um pequeno museu do passado porque encerrava dentro de si um grande pedaço de história. Esta história encontra-se agora com os Sinos em exposição no Baptistério da Igreja.
O Sino que anteriormente estava do lado nascente, quer pelo seu aspecto de fabrico tosco muito rudimentar, quer pela corrosão causada pelas salseiradas do mar, logo nos mostra ter sido o único sino que veio da primitiva Ermida de São Paulo, e que tudo indica ter sido fabricado nesta ilha.
O Sino que anteriormente estava na janela sineira do lado poente confunde-nos por serem reais mas enigmáticos os dizeres que nele se lêem em nítido relevo:
"SSmo. DE SAO PAULO OFERECIDO POR I. (?) M. NOGUEIRA, BELLAS V FEZ LISBA 1489"
Na parte superior esterior tem o mesmo uma imagem do Apóstolo São Paulo em relevo bastante vivo.
Oferecido pela mesma família que ofereceu os outros dois sinos em datas bastante posteriores, tudo nos leva a crer que a data de 1489 foi uma ESMERALDA de enfeite apropriado.
O sino que estava do lado sul, que é o mais rico no tamanho e nos dizers, ao cimo, na parte virada para o interior da torre, tem uma quadrícula moldada e no centro da mesma em letra relevante:
MANUEL ANTONIO MARTINS O FES
e logo mais abaixo:
CONSTRUIDO EM LISBOA NA FÁBRICA DA RUA AUGUSTA NO ANO DE 1839
JOZE MATHEUS NOGUEIRA O MANDOU FAZER PARA A IGREJA DE SÃO PAULO DA RIBEIRA QUENTE
O mais pequeno dos sinos, o que estava na janela do lado norte tem na parte superior exposta uma Cruz da Natividade bastante relevante, mas os dizeres não são, como os dois anteriores, em relevo mas sim gravados na parte baixa do mesmo:
JOZE MATHEUS NOGUEIRA O MANDOU FAZER EM 1854 P'A IGREJA DE S. PAULO NA RB' QUENTE
Estes dados que se lêem nestes três sinos que pertenceram à segunda Igreja de São Paulo e hoje fazem parte do património da igreja actual, não só identificam o seu benemérito doador, como marcam a data do começo de uma grande viragem na vida religiosa do povo da Ribeira Quente, porque, como já foi dito, depois da construção do primeiro Sacrário feito por doação desse proprietário e médico José Mateus Nogueira, o lugar da Ribeira Quente se emancipou ou soltou das peias que o travavam a Ponta Garça, devido à sua subserviência religiosa.
Depois de ter paroquiado a Igreja de São Paulo durante nove anos, o seu maior mentor, o Padre Ângelo Amaral partiu para a América do Norte onde permaneceu e veio a falecer. Do livro de Assentos desta paróquia e da autoria de um pároco que veio a falar dele decorridos que eram catorze anos, lê-se:
"... a quem se ficou devendo o seu levantamento (da Igreja), pois era daqueles de quem se costuma dizer - 'antes quebrar que torcer' - arrostando contra todas as dificuldades etc.",
conseguiu não só levantar este templo, como buscou para o seu interior aquilo que então o povo da Ribeira Quente lhe não podia dar e que é sempre uma das obras mais dispendiosas de um templo: o retábulo.
Na realidade, sabendo o Padre Ângelo que, depois da implantação da República os energúmenos haviam despejado a Igreja da Graça de Ponta Delgada para ali implantar um tribunal, este sacerdote ultrapassou muitos obstáculos e conseguiu que o retábulo desta igreja fosse oferecido à da nova igreja que depois veio a inaugurar, como já foi dito, levando da mesma, também uma imagem de Nossa Senhora do Leite, a de Santa Teresinha, a de São Pedro Gonçalves - que havia sido Patrono dos pescadores da Calheta e de Santa Clara, que se desavieram por causa desta imagem quando a mesma foi trazida do seu primitivo altar, que existia naquela que veio a ser a Igreja de São José de Ponta Delgada, para a da Graça - assim como as imagens de Santo Agostinho, Senhor Morto, São João Evangelista e São Nicolau de Tolentino.
Para substituir o Padre Ângelo veio da mesma ouvidoria o Padre José Luiz Borges Vieira, natural de Água de Pau, que na altura deixou de ser pároco da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios da Lomba do Loução.
Foi no seu tempo que foi feita a balaustrada que circunda o adro da actual igreja da Ribeira Quente, como foi no tempo deste que se tentou construir uma casa paroquial que não havia nesta localidade, a qual, por razões óbvias, nunca foi além de meias paredes.
Sem ser a forte vertente mar e igreja, mais nada constava acerca da Ribeira Quente, até que, no ano de 1927 veio a ser quebrada esta monotonia, com a construção de uma pequena muralha de protecção que partia da zona chamada "Prédio das Vieiras", até ao porto. Simples mas útil não como muralha de protecção, mas sim porque além dessa obrigação, permitia que antes de se entrar nas areias da praia que o mar ia repondo, houvesse umas dezenas de metros de caminho propriamente dito.
No ano seguinte, 1928, uma forte tempestade cortou quase totalmente este acesso, por isso foi aberto o caminho que o povo passou a chamar de estrada, conforme consta de um extracto paroquial:
"ANO DE 1928 - Neste ano há a registar nesta freguesia a abertura da nova estrada junto à rocha desde o princípio da freguesia até à igreja paroquial porque o mar já quase levou o antigo caminho junto à praia".
Já eram então decorridos, nessa altura, mais de 260 anos desde que a Ribeira Quente se havia tornado povoado, conforme consta dos apanhados históricos já mencionados acerca da suposta visita feita por D. Frei Lourenço de Castro. No entanto este lugar ainda não era freguesia.
As palavras acima referidas, "nesta freguesia" e "nova estrada", foram uma simples expressão então adequada para mencionar o acontecimento.
A "nova estrada", não era sinónimo de haver outra estrada, porque até àquela altura só havia sido feito (não pelo município), o pequeno paredão que ia da zona do actual porto para poente, o qual acabava, como já foi dito, no "Prédio das Vieira" ou logo pouco mais além da Rua Direita, e que servia só para pedestres antes de entrar na praia a parte da barreira composta por terras que o mar ia deixando e o povo da zona da Ribeira pisava para poder atingir a sua igreja.